Foto: Juliene Barros
O processo de iniciação cristã tem a finalidade de favorecer a configuração do catequizando a Cristo: “Eu vivo, mas não sou mais eu; é Cristo que vive em mim” (Gl 2,20).
Trata-se de um caminho a ser percorrido no qual essa identidade vai sendo alcançada gradualmente. Se, na paróquia, cada sacramento for considerado isoladamente, a consecução desse objetivo permanecerá distante, comprometendo o próprio sentido do ser cristão.
A compreensão da Iniciação à Vida Cristã como processo de encontro, conversão, discipulado e inserção na comunidade exige que a ação catequética seja conduzida de maneira orgânica e intencional.
Não se trata de organizar atividades por mera necessidade administrativa, mas de garantir que cada etapa do itinerário contribua efetivamente para o amadurecimento da fé e para a integração do catequizando na vida da Igreja.
Por isso, o planejamento pastoral da catequese deve ser entendido como um instrumento a serviço da evangelização. Quando realizado em sintonia com a comunidade, com o Ano Litúrgico e as orientações da Igreja, ele favorece a unidade da ação evangelizadora e ajuda a transformar a catequese em verdadeira experiência de iniciação à vida cristã.
O que considerar para um planejamento eficaz de toda ação catequética
Estrutura da catequese na Paróquia
É fundamental aprofundar, durante a formação dos catequistas, além das dimensões bíblica, litúrgica, espiritual, doutrinal e metodológica da catequese, o conhecimento das características sociais e psicológicas de cada faixa etária (idosos, adultos, jovens, adolescentes e crianças).
Também devem ser consideradas as situações especiais dos catequizandos com deficiência (catequese inclusiva), dos imigrantes, migrantes, ribeirinhos, indígenas, enfermos, encarcerados e gestantes.
A consciência comunitária do processo de iniciação à vida cristã é fundamental para que a paróquia assuma sua identidade de comunidade catequizadora e testemunha da fé.
Tempo de preparação
A programação das datas possibilita integrar as dimensões da vida comunitária e do Ano Litúrgico às necessidades da catequese propriamente dita, evitando contratempos e improvisações.
Planejar e programar não significa escolarizar a catequese, mas dar rumo e direção à caminhada, possibilitando que todos os envolvidos na comunidade de fé sejam testemunhas e participantes do itinerário catequético, sobretudo as pastorais que caminham em unidade com a catequese, como a equipe de liturgia.
Processo das inscrições
Contempla ampla divulgação e a organização da ficha de inscrição, possibilitando a realização da Festa das Inscrições.
Essa festa tem como principal objetivo proporcionar a primeira interação entre catequistas, pais e responsáveis pelos catequizandos, ou entre os catequistas e os próprios catequizandos, no caso da catequese com adultos.
Para que a festa aconteça de forma adequada, é fundamental a colaboração e a unidade das pastorais, auxiliando os catequistas nesse momento tão significativo.
Vivências próprias da vida em comunidade
Devem estar voltadas para o querigma, o discipulado e a mistagogia.
Celebrações
É necessária atenção aos ritos próprios da iniciação, conforme o RICA (Ritual da Iniciação Cristã de Adultos), bem como à celebração dos sacramentos.
- Celebração de Admissão/entrada no catecumenato.
- Entregas: Cruz, Palavra, Símbolo Apostólico, Pai Nosso.
- Exorcismos e Bênçãos.
- Rito do Éfeta.
- Celebração de Eleição/inscrição do nome.
- Celebração dos escrutínios.
- Celebração Penitencial.
- Celebração do sacramento.
O planejamento das datas em que ocorrerão esses ritos e entregas é fundamental para o celebrante, para as equipes de liturgia e para as famílias dos catequizandos ou catecúmenos, possibilitando a adequada preparação para esse momento importante do itinerário catequético.

Foto: Arquivo Pessoal
Subsídio a ser utilizado durante o processo
É importante atenção à escolha da coleção de catequese que será utilizada pela paróquia.
Ela deve contemplar a Palavra de Deus (Lectio Divina), a inspiração catecumenal, o Catecismo da Igreja Católica (doutrina) e o Magistério da Igreja, promovendo diálogo com os documentos da Igreja Universal e da Igreja no Brasil.
Por fim, é importante recordar que a Iniciação à Vida Cristã não se encerra com a recepção dos sacramentos. A mistagogia constitui etapa indispensável do itinerário catequético, favorecendo o aprofundamento da experiência de fé e a participação ativa na vida da comunidade.
Por isso, aqueles que receberam os sacramentos da iniciação devem ser acompanhados e enviados em missão. As crianças são convidadas a prosseguir seu caminho formativo nas etapas seguintes da catequese; os jovens e adultos, fortalecidos pelo Espírito Santo, são chamados a colocar seus dons a serviço da Igreja e da sociedade, tornando-se discípulos missionários de Jesus Cristo.
E então, catequistas, vamos planejar?
Fecunda missão a todos!
Planeje sua catequese com quem é referência em catequese no Brasil.
Abadias Pereira é pedagoga e catequista com uma sólida trajetória de 30 anos dedicados à educação. Sua experiência une a prática pedagógica ao ensino teológico, tendo atuado por 6 anos como professora no Seminário Propedêutico da Diocese de Bragança Paulista. Desde 2007, integra o Núcleo de Catequese Paulinas (Nucap) e possui diversos cursos de extensão em Catequese pela Unisal. É autora do livro Ministério de Catequista, publicado pela Paulinas Editora.
