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O que aprendemos com nossos mestres?

No Dia dos Professores, histórias reais revelam o poder transformador de quem ensina com o coração

Foto: Pexels

Há pessoas que deixam marcas profundas em nossas vidas. Algumas delas não convivem conosco por muitos anos, mas bastam poucos encontros para acender algo dentro de nós: uma inspiração, um sonho, um propósito. Assim são os professores: seres que, com palavras, gestos e exemplos, ajudam a moldar o que somos e o que queremos ser.

No Dia dos Professores, celebramos não apenas uma profissão, mas uma missão de vida. Por trás de cada caderno corrigido, de cada olhar paciente e de cada incentivo silencioso, há alguém que acredita no potencial do outro e aposta, todos os dias, na força transformadora da educação.

Nesta data especial, três ex-alunas compartilham suas histórias de gratidão, mostrando como a presença de um professor pode iluminar caminhos e inspirar vocações.

A inspiração que se tornou vocação

Em 1984, uma mudança de bairro em São Paulo trouxe também uma nova escola para mim. Ingressei na 3ª série B, turma da manhã, na Escola São Teodoro de Nossa Senhora de Sion. Tudo era novo: o ambiente, os colegas e, principalmente, a professora. A ansiedade tomava conta: como seria aquele primeiro dia?

Viviane e Eliane: inspiração que fez a aluna virar professora. Fotos: Arquivo pessoal

Logo veio a chamada. Com voz doce e acolhedora, a professora Eliane Seraphin Abrantes pronunciava os nomes dos alunos, um a um. Eu era o número 37. Subimos para a sala e, com uma delicadeza ímpar, ela iniciou uma dinâmica de acolhimento, recebendo cada criança com carinho, especialmente nós, os alunos novos.

Naquele momento, meu coração se encheu de alegria. Senti, com a sensibilidade de menina, que aquele seria um ano especial. E foi. A cada dia, “Tia Eliane” nos encantava com sua doçura, paciência e firmeza. Ensinava não apenas conteúdos, mas valores e, sem perceber, ia moldando sonhos. Foi nessa convivência que nasceu o meu: “Quando eu crescer, quero ser professora e ensinar com o mesmo carinho que recebo da minha professora”.

E assim aconteceu! Anos depois, concluí o Magistério no mesmo colégio e tornei-me professora. Trabalhei por 25 anos na mesma unidade escolar em que vivi minha infância e juventude, atuando como professora e coordenadora pedagógica. Hoje, aposentada dessa etapa, sigo minha missão como orientadora educacional no Colégio Agostiniano São José.

No Dia dos Professores, deixo um recado especial a todos que compartilham essa vocação: nunca deixem de acreditar na Educação! A profissão de professor é encantadora e digna de aplausos.

Viviane Biazioli

O amor pelas palavras e pela vida

O ano era 2002. Eu cursava Filosofia na Faculdade La Salle, em Porto Alegre (RS) e precisava completar a grade com algumas disciplinas optativas. Escolhi Português. Mal sabia que aquela simples escolha me apresentaria uma professora inesquecível: Margaret Godoy.

Irmã Marta relata sua admiração pela professora e também religiosa Irmã Marta Maria Godoy. Fotos: Arquivo pessoal

No primeiro dia de aula, ela pediu que cada aluno se apresentasse por escrito. Achei a proposta encantadora e logo entreguei meu texto. Na aula seguinte, ela se aproximou da minha carteira e, com um sorriso curioso, perguntou: “Então, você é uma Irmã Paulina? Sabia que quase fui uma Paulina também?”.

Contou-me que, ainda jovem, havia ingressado na congregação durante o período da ditadura militar. Só que seu pai temia por sua segurança e a aconselhou a sair. Mesmo assim, o chamado à vida religiosa nunca deixou de pulsar em seu coração.
Margaret seguiu outro caminho: formou-se, tornou-se mestra em Língua Portuguesa, casou-se, teve dois filhos — mas o amor pela fé e pela educação permaneceu o mesmo. Anos mais tarde, soube que ela havia retomado sua vocação, agora como integrante da Congregação das Oblatas Beneditinas, assumindo o nome de Irmã Marta Maria Godoy, OSB.

O que mais me marcou em suas aulas foi a liberdade que ela nos dava para escrever. Ela valorizava a riqueza da língua falada em cada canto do Brasil e fazia da correção um exercício de aprendizado, não de censura. Cada aula era um convite à descoberta, à criatividade e ao amor pelas palavras.

Pessoas como ela transformam o ensino em arte e mostram que educar é também acreditar no outro. Hoje, Irmã Marta atua em várias áreas pastorais, entre elas, a pastoral carcerária, no Rio Grande do Sul. A ela, minha eterna gratidão: obrigada, Professora Margaret, por ensinar com alma e viver o que ensina.

Irmã Marta Barros, fsp

Pequenos gestos, grandes lembranças

Minha lembrança mais terna da infância tem nome e sorriso: Tia Elza, minha professora no Jardim da Infância, na escola “Pinguinho de Gente”, que funcionava em um barracão perto de casa.

O carinho de Tia Elza é lembrado até hoje por Sabrina. Fotos: Arquivo pessoal

Na apresentação de final de ano, eu estava com uma inflamação nos dentes, o rosto bem inchado e não poderia me apresentar com a turma. Fiquei triste, mas Tia Elza, com seu coração generoso, não deixou que eu ficasse de fora. Improvisou uma fantasia com um collant e um cordão amarrado na cintura, e me colocou sozinha no palco. Aquele gesto de cuidado ficou guardado para sempre.

Com o tempo, sua dedicação e amor pela profissão fizeram a pequena escola crescer, transformando-se no Colégio Futuro. Às vezes, eu a encontrava no caminho de casa, já adulta e voltando da faculdade. Ela sempre me abraçava e dizia, com o mesmo carinho de antes: “Ahhh, meu pão com maionese!” — lembrando o lanche que eu levava na infância.

Alguns professores passam, outros permanecem. Tia Elza permanece. Em sua simplicidade, ela me ensinou que educar é amar e que o afeto, quando ensina, nunca se apaga.

Sabrina Turati Totaro

Foto: Pexels

Um legado que floresce em cada aluno

As histórias de Viviane, Irmã Marta e Sabrina nos lembram que o verdadeiro impacto de um professor vai muito além das paredes da sala de aula. Ele se revela nos gestos de acolhimento, nas palavras que despertam vocações, na confiança que faz o aluno acreditar em si mesmo.

Neste 15 de outubro, celebramos todos os educadores que seguem firmes nessa missão. Que cada lição dada, cada caderno corrigido e cada sorriso trocado continuem a transformar o mundo, um aluno de cada vez.

 

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