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O que é teologia do domínio?


Tenho ouvido falar em Teologia do domínio. Uma vez era Teologia da prosperidade. Agora é Teologia do domínio?  

Celita C. – Rio Grande (RS)

 

A Teologia do domínio agrupa várias tendências cristãs fundamentalistas, inclusive integralistas católicos que postulam uma política exclusivamente religiosa, de base bíblica.

A Teologia da prosperidade já é mais conhecida e afirma que a fé em Deus, expressa por meio de contribuições financeiras, resulta em prosperidade material e saúde. Essa doutrina argumenta que Deus deseja que seus seguidores sejam ricos e bem-sucedidos financeiramente, e que a fé e as doações para a igreja são meios para alcançar tudo isto. Por promover esta visão mercantilista da fé, onde as doações são vistas como um investimento com retorno garantido, não é reconhecida por cristãos que professam a fé em Deus Pai, misericordioso.

Fundamentalismo do domínio

A Teologia do domínio baseia-se no capítulo primeiro do Gênesis. Na verdade, há duas versões sobre a criação, no Gênesis. Mas é citada apenas a primeira, quando se refere ao domínio.

“Deus disse: façamos o homem à nossa imagem e semelhança para dominar sobre os peixes do mar, as aves do céu, os animais domésticos e todos os animais selvagens e todos os répteis que se arrastam sobre a terra.” (cf. Gn 1,26-29).

A Teologia do domínio tem contribuído muito para a expansão das igrejas neopentecostais e o fortalecimento das bancadas religiosas cristãs no Brasil, especialmente no Poder Legislativo.

"Esses grupos, frequentemente defensores de um espectro ultraconservador, utilizam argumentos teológicos, morais e escatológicos, muitas vezes influenciados pelo pensamento norte-americano", afirma Donizete Xavier, doutor em Teologia Fundamental pela Pontifícia Universidade Gregoriana.

Este teólogo questiona se esta visão “deve ser entendida como uma sistematização teológica ou, mais propriamente, como uma problematização de natureza ideológica”.

O texto bíblico foi lido de forma fundamentalista e literal, sem considerar que o relato tem, pelo menos, 3 a 4 mil anos. O sentido das palavras não é o de hoje. Esses grupos não consideram o que elas significavam na época em que foram escritas.

O texto deve ser interpretado na ótica da afirmação do ser humano criado “à imagem e semelhança de Deus”. O sentido original, em hebraico, de “imagem e semelhança” faz com que o ser humano seja o representante do Criador.

A exegese bíblica esclarece

As expressões “subjugar” e “dominar” devem ser entendidas, simplesmente, como “cultivar e cuidar”. Não como “dominar”.
Em Gênesis 1, não há nada de violência e dominação. 

Há a segunda versão do Gênesis (2,4-25) que diverge da primeira, nunca referida pelos representantes da teologia do domínio. Na segunda, Deus tira todos os seres do pó da terra, também o ser humano, estabelecendo com isso um laço de profunda irmandade entre todos. Criou o homem que vivia em solidão. Deu-lhe, então, uma mulher para ser sua companheira. Colocou-os no Jardim do Éden, não para dominá-lo, mas para “cultivá-lo e guardá-lo”.

Essa análise, à base do hebraico, é decisiva para descartar uma interpretação, fora do tempo, fundamentalista, a serviço de um sentido político. Nada mais distorcido e falso. 

 

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