Notícias
Notícias

Olhar sem enxergar: os desafios de viver em um mundo de imagens

Em meio ao excesso de fotografias, filtros e imagens produzidas por inteligência artificial, aprender a olhar com atenção e senso crítico tornou-se um desafio

Foto: Pexels

Se a fotografia é uma linguagem, o que acontece quando somos expostos a milhares de imagens todos os dias? Nas redes sociais, nas notícias, na publicidade e nas telas, fotografias e vídeos disputam continuamente nossa atenção. Nesse cenário, olhar tornou-se uma ação cada vez mais rápida, mas isso significa que estamos realmente enxergando?

Na primeira parte desta entrevista, o professor da área de Fotografia do Senac São Paulo, Ed Ressurreição Junior, explicou como luz, composição, enquadramento e outras escolhas transformam uma fotografia em linguagem e ajudam a despertar emoções, memórias e diferentes interpretações.

Foto: Pexels

Agora, a conversa se volta para os desafios do presente. Como as redes sociais transformaram nossa maneira de produzir e consumir imagens? Corremos o risco de olhar no piloto automático? E, com filtros, edições e inteligência artificial, como distinguir um registro da realidade de uma imagem manipulada?

Para o docente, desenvolver um olhar atento e crítico é cada vez mais necessário. E a fotografia pode nos ensinar a observar o outro, o cotidiano e o mundo com mais presença.

- Como a presença constante de fotografias nas redes sociais mudou nossa maneira de olhar e produzir imagens?

A presença massiva das fotos nas redes sociais democratizou a produção de imagens e transformou todos em criadores. Ao mesmo tempo, acelerou nossa maneira de olhar. O fluxo contínuo das redes exige imagens capazes de chamar a atenção imediatamente, favorecendo uma estética voltada ao impacto e ao consumo rápido.

Por outro lado, essa convivência diária ampliou nosso letramento visual. A fotografia tornou-se uma forma de comunicação: fotografamos para dialogar, marcar pertencimento e compartilhar experiências.

Foto: Pexels

- Em um cotidiano repleto de imagens, corremos o risco de olhar sem realmente enxergar?

Esse é um dos grandes desafios do nosso tempo. Bombardeados por estímulos visuais, podemos desenvolver uma espécie de fadiga do olhar e passar a analisar as imagens no piloto automático, sem perceber seu conteúdo ou sua intenção.

Por isso, desenvolver uma visão crítica tornou-se fundamental. Precisamos recuperar a capacidade de parar diante de uma imagem, observar seus detalhes e questionar aquilo que estamos vendo. Em meio ao excesso de estímulos, aprender a olhar de verdade é também uma forma de resistência à banalização do olhar.

- Com filtros, edição e inteligência artificial, como distinguir registro, interpretação e manipulação na fotografia? Existe um limite ético para editar uma imagem?

Essa distinção exige conhecimento sobre o processo fotográfico e senso crítico. No mercado profissional, podemos diferenciar o tratamento da manipulação. O tratamento envolve ajustes de cor, contraste e nitidez para revelar o que foi captado. Já a manipulação altera ou acrescenta elementos à cena.

Com a inteligência artificial, essa fronteira ficou ainda mais complexa. O uso dessas tecnologias não é errado em si, mas é fundamental ter transparência. O problema surge quando a edição é utilizada para adulterar fatos, produzir desinformação ou impor padrões inatingíveis.

Foto: Pexels

- O que podemos aprender com a fotografia sobre a importância de olhar para o outro e para o mundo com mais atenção?

A fotografia é, antes de tudo, um exercício de empatia e presença. Ela nos convida a sair da nossa própria bolha e direcionar o foco para o outro e para o ambiente. Ao enquadrar o mundo, passamos a perceber pequenos detalhes do cotidiano, mudanças sutis da luz e realidades que poderiam passar despercebidas na pressa.

É nesse exercício que está seu potencial de transformação. Ao desenvolver esse olhar, aprendemos a enxergar com mais atenção e respeito as necessidades da nossa comunidade. A câmera não é um escudo para nos separar do mundo, mas uma ponte para nos conectar profundamente a ele.

A conversa continua...

Não perca a primeira parte da entrevista: o professor fala sobre as escolhas que estão por trás de uma imagem, a relação entre fotografia e memória e a maneira como cada pessoa participa da construção de sentido ao observar uma fotografia.

Confira: “Quando uma imagem fala: a linguagem e a força da fotografia”

Leia também

- O perigo das imagens geradas por inteligência artificial
- Direito de imagem: O que você precisa saber na era dos celulares
- Storytelling por meio de scrapbook 
 

Site Desenvolvido por
Agência UWEBS Criação de Sites