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Sabemos que o sofrimento é uma realidade existencial e inerente à vida humana. Quantos gritos, tantas vezes silenciosos ou silenciados, de dor, de lamento e de desespero, a Deus ou contra Deus, clamamos por causa do Seu Silêncio? Diante das situações de sofrimento, acontece o encontro entre a criatura e o seu Criador, que gera proximidade e uma comunhão profunda.
Diante do sofrimento de si ou do outro, perguntamos a Deus: por que Ele permite tal sofrimento? Contudo, também devemos nos questionar sobre o sentido do sofrimento em nossa vida, qual ensinamento podemos acolher diante da dor do outro e também a nossa. Hoje, nas promessas de felicidades, não está incluído o sofrimento.

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Constantemente, o ser humano almeja ter uma vida feliz, sem dor e sofrimento. Infelizmente, na busca de evitar ou mascarar o sofrimento, a pessoa não se dá conta de que não é possível viver sem sofrer, porque o sofrimento faz parte da condição humana. Aceitar essa realidade já é um passo significativo.
Deus sofre!
A existência do sofrimento fragiliza a fé e induz o ser humano a questionar a imagem de um Deus amoroso e misericordioso para um Deus indiferente, distante, que “está acima de todos”, que beneficia os que praticam o bem e castiga os que praticam o mal, típico da teologia da retribuição, “Aqui se faz, aqui se paga”.
Por essa razão, o sofrimento humano é o lugar teologal da experiência de Deus por excelência! “O sofrer sem sentido, incontornável e infinito, faz o homem clamar a Deus e até duvidar dele.” Moltmann1 nos ajuda a passar do “Deus apático”, incapaz de sofrer, para um Deus que sofre, a partir da plenitude do seu ser, e que, ao assumir a dor do ser humano, sofre junto.

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Os sofrimentos humanos, segundo Etty Hillesum, “afastam muitos do divino. Pois sabemos bem que sofremos, mas não sabemos de maneira nenhuma por que sofremos. A dor seria um fato destinado a permanecer sempre sem explicação” e somente através da fé que encontraremos sentido para tal sofrimento em nossa vida.
O silêncio de Deus diante do sofrimento do ser humano não deve ser visto como distante, indiferente, apático, um silêncio que só transmite ausência e que só provoca um grande vazio na pessoa, mas compassivo e misericordioso, pois assim como Deus se fez presente no sofrimento do Filho, também se faz presente em nossas dores.
O silêncio de Deus diante da dor humana está muito além de qualquer palavra, só pode ser percebido por meio da fé, que proporciona um profundo e silencioso encontro.

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Deus, que é amor e que ama infinitamente cada uma das suas criaturas, deve sentir dor e sentimento de perda pela morte de cada uma dessas criaturas. “Nossa aflição e nosso sentimento de perda são participações vivas na sua dor.” Pois, quanto mais profunda a capacidade humana de sofrer, tanto maior será a sua experiência de felicidade.
Portanto, não há felicidade sem dor. Aquele que procura uma felicidade sem dor será simplesmente incapaz de amar e se sentir amado.
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Irmã Sheila Araújo, fsp, é religiosa consagrada na Congregação das Filhas de São Paulo, possui bacharelado em Teologia pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS), especialização em cultura e meios de comunicação pelo SEPAC Paulinas. Atualmente, é gerente da Paulinas Livraria de Recife (PE).
1Jürgen Moltmann foi um teólogo reformado alemão, conhecido por obras como Teologia da Esperança, O Deus Crucificado, e Deus na Criação, e as suas contribuições para a teologia sistemática. As suas obras foram traduzidas para vários idiomas.
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