São Paulo Apóstolo. Foto: Viviani Moura, fsp
O apóstolo Paulo sempre foi referência para a Igreja quando o assunto é a comunicação e continua, também em nossos dias, a ser inspiração aos comunicadores cristãos. Um dos motivos é que ele soube integrar a comunicação interpessoal com os meios de comunicação mais rápidos e eficazes do seu tempo para chegar com a mensagem do Evangelho aos seus interlocutores e destinatários.
Com o apóstolo Paulo, aprendemos que não existe evangelização sem comunicação e que, à luz do mandado de Jesus aos seus discípulos, de ir pelo mundo anunciar o Evangelho a todos os povos, a Igreja é chamada a utilizar todos os meios possíveis nessa missão. Nessa perspectiva, desde as últimas décadas do século passado, a Igreja tem utilizado os instrumentos técnicos de comunicação, ciente de que estes formam o primeiro areópago dos tempos modernos que transformou a humanidade em uma aldeia global.
Não há como negar que os instrumentos de comunicação social tradicionais (imprensa, rádio, televisão, cinema, etc.) e o ambiente digital constituem, atualmente, meios informativos e formativos que influenciam, de alguma maneira, os comportamentos individuais e sociais, condicionando especialmente as novas gerações.
Se o apóstolo Paulo vivesse nesta realidade comunicacional, certamente a internet seria seu principal campo missionário. Ele, que tinha ao redor de si uma rede de colaboradores e colaboradoras no trabalho de evangelização, usaria certamente as redes sociais e plataformas digitais com a mesma ousadia que utilizou as cartas, as sinagogas e as praças da Antiguidade para alcançar os "distantes" e propagar o Evangelho.

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O comunicador cristão pode aprender muito com o apóstolo Paulo que, com linguagens adequadas, chegava com a sua pregação às várias comunidades com as quais tinha contato, a ponto de afirmar: "fiz-me tudo para com todos, para, por todos os meios, chegar a salvar alguns” (1Cor 9,22). Esta frase, no horizonte dos meios de comunicação, pode também significar ao evangelizador de hoje, a necessidade de utilizar os diferentes formatos — vídeos, textos, áudios e imagens — para evangelizar e, assim, construir pontes, promover o encontro e a comunhão.

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Obviamente, não podemos nos esquecer de um detalhe importante: o apóstolo Paulo é referência para o comunicador cristão não somente no que diz respeito à metodologia pastoral e aos meios utilizados no anúncio do Evangelho, conforme salientamos, mas sobretudo, na experiência que fez do encontro com Jesus. A criatividade e a ousadia na sua vida missionária partiam de um conteúdo, iluminado pelo Espírito de Jesus ressuscitado, que dá sentido à sua missão.
O apóstolo Paulo ensina ao comunicador cristão que o ponto de partida para a evangelização é Jesus, com a sua divindade e humanidade. De fato, ninguém pode oferecer o que não tem. Isto significa que não basta utilizar as novidades tecnológicas do campo da comunicação. É necessário um conteúdo consistente, iluminado pelo Evangelho, que toque o coração das pessoas e a realidade humana a ser transformada.

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É preciso, da parte do comunicador cristão, o empenho por uma evangelização que valorize o testemunho que deve se dar, antes de tudo, nos contatos pessoais, ou seja, na proximidade, na comunicação que leva em conta a escuta e o “olho no olho”. Uma evangelização que, depois, irradie, por meio das tecnologias, a mensagem de Jesus que quer salvar o ser humano, valorizar a sua dignidade e dar sentido à sua vida.
Dom Valdir José de Castro, ssp, é Bispo Diocesano de Campo Limpo (SP) e Presidente da Comissão Episcopal para a Comunicação da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB).
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