
Pe. Zezinho, scj em “Canções de esperança e Diálogo”. Foto: Juliene Barros
Em um mundo ferido pela pressa, pela intolerância e por tantas palavras ditas sem escuta, o diálogo torna-se um verdadeiro gesto de fé. É neste espírito que Pe. Zezinho, scj, apresenta seu novo álbum “Canções de Esperança e Diálogo”. Trata-se de um verdadeiro chamado para reaprender a ouvir, a esperar e a caminhar juntos à luz do Evangelho.
As canções nascem do cotidiano da Igreja e da vida, onde as relações se constroem ou se rompem, de acordo com o modo como falamos, agimos e sentimos. Mais do que respostas prontas, o álbum propõe um itinerário interior, onde a oração abre espaço para a convivência e a esperança renova o olhar sobre o mundo.
“Faz tempo que eu persigo, em canção, a ideia do diálogo, diálogo, diálogo. E sobretudo, da esperança, esperança, esperança”, reitera o religioso ao ressaltar que estamos numa civilização do “eu”, em que muitos estão na superficialidade e centrados em si.
Dialogar: uma graça a ser pedida
Dialogar não é vencer discussões, mas construir pontes. Em faixas como “A graça de dialogar”, “A graça de saber ouvir” e “Dialogarás”, o álbum “Canções de Esperança e Diálogo” transforma qualquer comunicação em súplica. Ou seja, um olhar voltado a Deus a fim de pedir um coração paciente, humilde e capaz de escutar antes de responder.
As letras revelam uma verdade simples e exigente: não sabemos amar direito se não aprendermos a ouvir. Em tempos de opiniões rápidas e julgamentos severos, essas canções recordam que o cristão é chamado a argumentar sem ódio, a discordar sem contendas e a falar sem ferir. Como o próprio autor afirma, as composições são uma oportunidade de descobrir a “mística do diálogo”.

Pe. Zezinho, scj durante as gravações do álbum “Canções de Esperança e Diálogo”. Foto: Juliene Barros
Esperar também é uma forma de rezar
A esperança atravessa todo o álbum como um fio silencioso, mas firme. Em “O verbo esperar”, aprendemos que não é um ato passivo, contudo um jeito profundo de crer, amar e confiar. Em “Eu já vi milhões orando”, a fé do povo aparece como força que sustenta a Igreja mesmo quando a paz parece distante.
Canções que recordam que a esperança cristã não ignora as dores do mundo, mas insiste em confiar que Deus continua agindo na história, mesmo quando tudo parece lento ou difícil. “Santo que não espera, se desespera e não é santo. Santo é aquele que vive de esperança: ‘eu conheço Jesus e espero, um dia, estar com Ele na glória. Mas enquanto isso não acontece, eu estou com os outros’”, ensina Pe. Zezinho, scj.
Vocação, família e Eucaristia: lugares do encontro verdadeiro
As faixas de “Canções de Esperança e Diálogo” também tocam dimensões essenciais da vida cristã. Em “Eis-me, Senhor, renovando” e “Neste altar onde tantos juraram”, a vocação, seja matrimonial ou religiosa, é apresentada como resposta renovada, vivida diante de Deus e sustentada pela graça. Cada “eis-me” nasce da escuta e se fortalece na fidelidade cotidiana.
A Eucaristia, centro da vida da Igreja, aparece como fonte de unidade e esperança em “Apenas uma partícula”: basta um fragmento do Corpo do Senhor para saciar a fome de sentido. É no altar que o diálogo mais profundo acontece: Deus fala e o coração responde.
Já em “Sagradas Famílias”, o olhar se volta para Nazaré, onde José, Maria e Jesus ensinam que dialogar também é escutar em casa, obedecer, guardar no coração e crescer juntos na presença de Deus.
Confira a lista completa das faixas do álbum:
● A graça de dialogar
● A graça de saber ouvir
● O verbo esperar
● Deus abençoe esta gente
● Dialogai, dialogai
● Eu já vi milhões orando
● Eis-me, Senhor renovando
● Neste altar onde tantos juraram
● Apenas uma partícula
● Sagradas Famílias
● Dialogarás
Um canto que reúne muitas vozes e talentos
Canções de Esperança e Diálogo é também um projeto marcado pela comunhão. Participam do álbum como intérpretes os Cantores de Deus, Sônia Mara, Ricardo Moreno, Giba, além dos dehonianos Pe. José Ronaldo Gouvêa, scj e Pe. Renan Picheli, scj. As vozes se entrelaçam como sinal de uma Igreja que canta unida para proclamar a Palavra de Deus.

Pe. Zezinho, scj com Pe. José Ronaldo Gouvêa, scj e Pe. Renan Picheli, scj. Foto: Juliene Barros
Outros “bons ouvidos” integram o projeto: a produção musical é de Ir. Verônica Firmino, fsp, que assina também a produção artística com Pe. Zezinho, scj. Os arranjos e instrumentação são do maestro Luiz A. Karam; e a gravação de voz, mixagem e masterização de Alexandre Soares, com assistência de estúdio de Vanderlei Pena.
O álbum não pretende encerrar debates, mas abrir caminhos. Percursos de escuta, paciência, reconciliação e esperança, que já estão disponíveis nas plataformas digitais. Ouça “Canções de Esperança e Diálogo” a fim de, sobretudo, silenciar o coração para ouvir Deus e, a partir Dele, reaprender a ouvir o outro.
Por Gracielle Reis
