Batismo do Apóstolo Paulo. Foto: Arquivo Paulinas
Agosto, mês vocacional, recordamos as diversas vocações que estão a serviço do Evangelho, do Reino de Deus: os leigos e leigas; os presbíteros, as religiosas, os religiosos consagrados, os e as catequistas. Também fazemos memória da vocação à vida, à vida familiar, à paternidade e à maternidade.
Nesse ano de 2025, a Igreja Católica no Brasil comemora a 44ª edição do mês vocacional, fazendo desta iniciativa um grande mutirão de animação vocacional nas comunidades espalhadas por todas as regiões do país. O lema deste mês vocacional é “Peregrinos(as) porque chamados(as)”, e visa interpelar os fiéis a descobrir o amor de Deus e a ser homens e mulheres de esperança, tendo como fonte inspiradora a mensagem do Papa Francisco para o 61º Dia Mundial de Oração pelas Vocações.
Também, não podemos esquecer das diferentes celebrações do jubileu ordinário, no qual lembramos os 2025 anos da Encarnação do Filho de Deus, ou seja, do Nascimento de Jesus à luz da Esperança, tendo como grupo específico, neste mês, no calendário do Jubileu, “os jovens”.
Enquanto isso, nessas “Dicas Bíblicas”, estamos nesse peregrinar com a Carta aos Romanos, tema do Mês da Bíblia 2025, e refletiremos sobre o Batismo, descrito em Rm 6,1-14. O Batismo é visto como participação do cristão ou cristã na paixão, morte e ressurreição de Cristo. Nesse trecho, o autor inicia com perguntas (vv. 1-3) estabelecendo um elo com Romanos 5,20-21, visando eliminar qualquer interpretação que sugira a necessidade de persistir no pecado para que a graça se multiplique ou para que a misericórdia de Deus se manifeste.
Na segunda parte (vv. 4-11), percebemos que o autor fundamenta as questões previamente levantadas (vv. 1-3), afirmando que a morte ao pecado é possível porque aqueles batizados em Cristo são incorporados ao seu destino de morte e ressurreição (v. 4).
De fato, a pessoa batizada participa do evento pascal de Cristo, ainda que não tenha experimentado a ressurreição definitiva, vivendo, portanto, uma tensão escatológica (já e ainda não), na qual já experimenta a fé e as consequências existenciais do batismo, mas aguarda a ressurreição no fim dos tempos.
O batismo, dessa forma, manifesta e torna visíveis as consequências salvíficas da morte de Cristo, superando a morte e rompendo com as forças do mal. Essas forças são representadas pela expressão “ser humano velho”, que é crucificado e sepultado (Rm 6,6) com Cristo, para que os batizados não sejam mais escravos do pecado.
Entretanto, não é certo interpretar que os batizados não enfrentarão mais fraquezas ou imperfeições, mas sim que não serão mais prisioneiros do pecado. O autor sublinha que o pecado não exerce mais domínio sobre o cristão ou a cristã, enfatizando a eficácia do batismo, não como um rito, mas como participação de um evento histórico-salvífico: a morte e a ressurreição de Cristo.
Ser batizado, portanto, não é apenas um ato de recordar a morte de Cristo, mas implica entrar em relação com Ele, participando do Mistério Pascal. Assim, o batizado é alguém que imerge continuamente na morte de Cristo e vive uma vida que testemunha a ressurreição, ou seja, que defende a vida e a dignidade humana. A participação na morte de Cristo é o que justifica a pessoa diante de Deus, restabelecendo a comunhão com Ele e com o próximo.

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Por meio do batismo, inicia-se um processo de santificação, no qual o Espírito Santo conduz a pessoa batizada a viver conforme a vontade de Deus (Rm 8). Essa santificação consiste em ser como Jesus Cristo, que se torna o princípio normativo da vida do fiel. Assim, a vida de Jesus será o parâmetro para o agir cristão.
Essa dimensão ética do batismo é expressa em Rm 6, 12-14, ao afirmar que, após a experiência batismal, o fiel é chamado a confrontar constantemente sua vida com o agir de Cristo e com os valores do Reino de Deus.
A pessoa batizada também é conduzida a uma experiência comunitária profunda, pois não existe cristão e cristã sem comunidade. É na comunidade e com a comunidade que o(a) batizado(a) pode trilhar a novidade de vida, testemunhando assim a ressurreição de Jesus. Mortos e sepultados no amor de Cristo, e guiados pelo Espírito, os fiéis, dentro da comunidade cristã, tornam-se, no mundo, testemunhas da esperança.
Pausa para refletir:
- Em agosto celebramos o Mês Vocacional, a qual vocação você é chamado(a)?
- Qual é a relação entre vocação e batismo? Você sabe o dia que foi batizado(a)? Como você comemora essa data?
- O que significa afirmar que pelo batismo vivemos em Cristo?
- Como ser sinal de esperança por meio da vocação que recebi?
Sobre a Carta aos Romanos, sugerimos o subsídio: Serviço de Animação Bíblica. Mês da Bíblia 2025. A esperança não decepciona (Rm 5,5). São Paulo: Paulinas, 2025 e o livro: Carta aos Romanos: a revelação da justiça de Deus, organizado por Manoel Gomes da Silva Filho; Zuleica Aparecida Silvano. São Paulo: Paulinas, 2025. (Palavra Viva).
Você também poderá assistir ao vídeo sobre a introdução à Carta aos Romanos no vídeo abaixo.
