Comunicação

Preservar vozes e rostos humanos é tarefa da catequese!

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Para iniciar nossa “conversa”, gostaria de propor a você um desafio. Este desafio se chama: Desafio do Contemplar. Reserve um tempo para isso. Escolha um lugar. Pode ser em sua própria casa, no ônibus, no metrô, com seus colegas de trabalho, na sua comunidade paroquial, etc.

O desafio é permanecer uma hora ou mais sem seu aparelho inteligente (seu smartphone, seu celular) e contemplar o rosto e ouvir a voz das pessoas à sua volta. Faça isso com espontaneidade, mas de modo intencional e, sobretudo, gratuito. Procure contemplar a postura facial, as expressões, o olhar... Observe também as palavras, o tom da voz, a velocidade, o conteúdo... Ao final do desafio, escreva brevemente o que você contemplou e ouviu.

Este exercício é muito simples e pode parecer banal, já que, a todo momento, estamos nos relacionando com outras pessoas. Mas por que eu o chamei de desafio? Porque hoje, nesta cultura digital, cada vez mais é um verdadeiro desafio contemplar rostos e ouvir, em profundidade, as vozes das pessoas. Ou, se vemos e ouvimos, estes rostos e vozes não podem ser reais, mas fruto de uma inteligência artificial que cada vez mais quer ser mais próxima e afetiva. 

Assim, não é por acaso que, neste ano, a mensagem do Papa Leão XIV para o 60º Dia Mundial das Comunicações Sociais nos convida a “Preservar vozes e rostos humanos”. E, segundo o Papa Leão, “o desafio, por conseguinte, não é tecnológico, mas antropológico. Preservar os rostos e as vozes significa, em última análise, preservarmo-nos a nós próprios”.

 

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O Dia Mundial das Comunicações Sociais, celebrado anualmente no domingo da Ascensão do Senhor, foi instituído pelo Concílio Vaticano II (por meio do decreto Inter Mirifica, de 1963). A cada ano, no dia 24 de janeiro, dia de São Francisco de Sales, padroeiro dos jornalistas, o Papa oferece uma mensagem para celebrarmos este dia com um olhar para os desafios atuais da comunicação.

A celebração deste dia e a mensagem não são reservadas apenas para quem faz parte da Pastoral da Comunicação, mas para toda a Igreja, que é chamada a refletir e a se perguntar como é a nossa presença neste contexto cada vez mais marcado pelo avanço da inteligência artificial (IA) e pelo enfraquecimento das relações humanas.

Assim, o que ela tem a dizer a nós, catequistas?

O Diretório para a Catequese, no número 319, afirma: “A catequese tem uma intrínseca dimensão cultural e social, na medida em que se coloca numa Igreja inserida na comunidade humana. Nela os discípulos do Senhor Jesus partilham ‘as alegrias e as esperanças, as tristezas e as angústias dos homens de hoje’ (GS 1). A tarefa de ler os sinais dos tempos está sempre viva, sobretudo neste tempo, que se afigura como uma viragem epocal e é marcado por contradições e, ao mesmo tempo, por anseios de paz e justiça, de encontro e solidariedade”. Portanto, é tarefa, sim, da catequese repensar a sua prática e refletir sobre o seu papel no contexto atual.

Não estou aqui para lhe dar respostas prontas, como sempre esperamos receber quando buscamos uma inteligência artificial, mas gostaria de oferecer a você três elementos para a sua reflexão como catequista, a partir da Mensagem do 60º Dia Mundial das Comunicações Sociais.

1. Vivemos em um momento de grande encantamento com a inteligência artificial, a “‘amiga’ onisciente, dispensadora de todas as informações, arquivo de todas as memórias, ‘oráculo’ de todos os conselhos”. A mensagem que levaríamos horas de inspiração para escrever é realizada em poucos segundos. A dinâmica perfeita e todo o roteiro para o nosso encontro temos em instantes. A inteligência artificial é perfeita em nos dar respostas. Mas como ela está nos ajudando a fazer perguntas, “a nossa capacidade de pensar de forma analítica e criativa, de compreender significados, de distinguir entre sintaxe e semântica”? Como catequistas, estamos pensando e refletindo sobre a nossa fé ou apenas reproduzindo o que encontramos pronto? 

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2.  “Porque os chatbots tornados excessivamente ‘afetuosos’, além de estarem sempre presentes e disponíveis, podem tornar-se arquitetos ocultos dos nossos estados emocionais e, desta forma, invadir e ocupar a esfera da intimidade das pessoas”. Uma notícia me chamou a atenção ultimamente.

Uma criança de apenas 12 anos (não poderia ser um de nossos catequizandos?) sofria violência sexual por parte de uma pessoa de seu convívio familiar e, não vendo forma de desabafar com as pessoas mais próximas por medo, buscou ajuda com a inteligência artificial. A mãe, controlando o celular da criança, encontrou na lixeira a mensagem. Esta criança foi verdadeiramente ajudada não pela IA, mas pela mãe e familiares, que tomaram as devidas providências para o cuidado desta criança ferida e a prisão do culpado. 

3. Neste terceiro elemento de reflexão, apresento um ponto fundamental da mensagem que trata da educação: “O objetivo da educação é este: aumentar as nossas capacidades pessoais de refletir criticamente, avaliar a credibilidade das fontes e os possíveis interesses por trás da seleção das informações que nos chegam, compreender os mecanismos psicológicos que elas ativam, permitir às nossas famílias, comunidades e associações a elaboração de critérios práticos para uma cultura de comunicação mais saudável e responsável”. Segundo o Diretório de Comunicação da Igreja no Brasil, a educação para a comunicação também é uma tarefa da catequese (Diretório de Comunicação da Igreja no Brasil, 97).

A mensagem do 60º Dia Mundial das Comunicações Sociais, primeira do Papa Leão XIV, pode trazer tantos outros pontos de reflexão. Se você ainda não leu, reserve um tempo para ler esta mensagem e compartilhe com outros catequistas de seu grupo. Reflitam juntos e ampliem a reflexão para outras pastorais e movimentos de sua comunidade. Preservar vozes e rostos humanos é tarefa da catequese!

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Por fim, compartilho com você um pensamento que venho refletindo já há algum tempo: na cultura digital, a catequese não deve digitalizar-se, mas tornar-se cada vez mais humana e ser testemunha, para crianças, jovens e adultos, daquele Rosto que, por tanto amar, não permitiu que nenhum rosto lhe fosse indiferente. Deixo também o convite para o Desafio de Contemplar o Rosto de Cristo nos Evangelhos, ouvir a sua Palavra. Contemplar o seu rosto nos ajudará a “preservar vozes e rostos” de nossos irmãos e irmãs e o nosso próprio rosto!


Irmã Rosa Maria Ramalho, fsp, é irmã paulina. Mestra em Catequética pela Universidade Pontifícia Salesiana (UPS), de Roma (Itália).

 

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7º Congresso de Comunicação: Preservar vozes e rostos humanos

O SEPAC / Paulinas Cursos convida você para o 7º Congresso de Comunicação, em celebração ao 60º Dia Mundial das Comunicações. Um evento híbrido realizado em parceria com a Signis Brasil e a Pascom da Arquidiocese de São Paulo.

Tema: “Preservar vozes e rostos humanos”

Data: 7, 8 e 9 de maio de 2026

Formato: Online e Híbrido

Participe deste debate essencial sobre o protagonismo humano na comunicação atual.

Inscrições abertas: https://doity.com.br/7-congresso-de-comunicao-2026

 

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