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Primeira encíclica do Papa Leão XIV alerta para os riscos da Inteligência Artificial

Primeira Encíclica do Papa Leão XIV propõe "Caminho de Neemias" diante do avanço da Inteligência Artificial

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A Magnífica Humanidade, que intitula a primeira encíclica do Papa Leão XIV, como bem diz o Papa,"encontra-se hoje perante uma escolha decisiva: erguer uma nova torre de Babel ou construir a cidade onde Deus e a humanidade habitam juntos". 

Fala também dos objetivos de cada geração, em cada época: fazer amadurecer a história como um lugar onde a dignidade de cada pessoa seja salvaguardada, a justiça promovida e a fraternidade possibilitada. 

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Ciente de que  "o mistério do homem só no mistério do Verbo encarnado se esclarece verdadeiramente", Leão XIV  afirma que, como no seu tempo Leão XIII abordava novas questões (Rerum Novarum), devemos interpretar as tendências do nosso tempo, em particular os progressos da técnica, o digital, a inteligência artificial.

Um grande poder

"Nunca a humanidade teve tanto poder sobre si mesma", recordou o Papa Francisco, na Laudato Si'.

Diante disso, sente-se a necessidade de adotar instrumentos normativos adequados, capazes de salvaguardar a justiça e de conter os efeitos nocivos do poder tecnológico. Mas o cuidado com a realidade não se esgota na regulamentação. 

Quem detém este poder e para que fins

Como alertou o Papa Francisco, devemos perguntar-nos com realismo quem detém hoje este poder e para que fins o orienta: "Não podemos, porém, ignorar que a energia nuclear, a biotecnologia, a informática, o conhecimento do nosso próprio DNA e outras potencialidades que adquirimos […] dão, àqueles que detêm o conhecimento e sobretudo o poder econômico para o desfrutar, um domínio impressionante sobre o conjunto do gênero humano e do mundo inteiro", continuava o Papa Francisco.

Questões fundamentais

Diante disso, impõem-se à nossa consciência questões decisivas, que não podem já ser evitadas: 

  • Para onde vamos? 
  • Por qual meta desejamos nos orientar? 
  • Que direção escolher enquanto comunidade humana e enquanto povos?

Para ilustrar, duas imagens bíblicas

Na era da inteligência artificial, o Papa Leão XIV evoca duas imagens bíblicas: a da edificação da torre de Babel (cf. Gn 11, 1-9) e a reconstrução das muralhas de Jerusalém (cf. Ne 2-6). O Espírito Santo interpela-nos hoje sobre a nossa relação com a técnica e com a revolução digital em curso.

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As descobertas científicas são um dom concedido à humanidade para que esta o faça frutificar (cf. Mt 25, 14-30). A tecnologia pode curar, conectar, educar, cuidar da Casa comum; mas também pode dividir, descartar, gerar novas injustiças.

Os muros da convivência fraterna

Entre edificar Babel ou reconstruir Jerusalém: entre um poder que pretende dominar o céu ou um povo que, unido, na presença de Deus, começa o trabalho de reerguer os muros da convivência fraterna.

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E o Papa Leão sugere: Evitemos a “síndrome de Babel”: a idolatria do lucro, que sacrifica os mais fracos; a uniformidade, que anula as diferenças; a pretensão de uma linguagem única – mesmo digital – dedicada a traduzir tudo em dados e desempenhos, inclusive o mistério da pessoa. Este é o risco da desumanização: construir o futuro excluindo Deus e reduzindo o outro a um meio; uma tentação tão antiga e tão nova, que hoje assume também uma faceta técnica.

Escolher o "caminho de Neemias"

Este caminho destaca o valor do trabalho conjunto para garantir a segurança da cidade de Deus aos exilados que regressavam. Reconstruir hoje significa reconhecer, na pluralidade de vozes e visões que por vezes lembra a dispersão das línguas, a existência de uma possibilidade luminosa: a de edificar juntos, transformando a diversidade num recurso e fazendo da escuta e do diálogo o terreno comum no qual crescem a justiça e a fraternidade.

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No âmbito desta obra partilhada, os cristãos encontram a sua forma específica de construir: orientar a ação para Deus, de modo que, à sua luz, o pluralismo não se disperse na desordem, mas, pela prática da sinodalidade, se torne o lugar onde a humanidade reencontra os seus sólidos alicerces e o seu fim último.

"Construir no bem"

Construir uma cidade orientada para o bem comum exige, em primeiro lugar, edificar sobre a rocha da relação com Deus. Reconhecer que a verdade do seu amor nos chama a uma vida "em abundância" ( Jo 10, 10) e à comunhão com Ele. 

Edificar no bem significa aceitar os limites e a fragilidade da humanidade, sem os considerar um erro a corrigir. A ilusão de uma técnica que promete libertar-nos de toda fragilidade ou modelos de bem-estar que “deixam para trás” povos inteiros.

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A ilusão de  aperfeiçoamento sem limites, em formas de progresso, pode exacerbar as desigualdades, em soluções imediatas incapazes de curar as feridas dos povos. Então, enquanto alguns perseguem  uma autoafirmação ilimitada, muitos continuam sem o essencial.

Um mundo onde todos possam “florescer” exige  uma corresponsabilidade corajosa. Nenhuma mão, sozinha, é suficiente para aguentar o peso dos desafios que assolam o mundo; e nenhuma mão é tão fraca que não possa dar o seu contributo. "A força manifesta-se na fraqueza" (2 Cor 12, 9). É a lógica da subsidiariedade, que valoriza a cooperação entre gerações, povos, disciplinas e culturas. 

Caminho da Doutrina Social da Igreja

A Doutrina Social da Igreja surge, na sua forma mais autêntica, não como um manual de princípios e normas a aplicar, mas um caminho de discernimento comunitário.

Ela nasce do encontro entre a verdade eterna do Evangelho e as questões da história; deixa-se interrogar pelos sinais dos tempos; nutre-se dos contributos das ciências, das culturas e das experiências humanas.

Parte da encíclica desenvolve a evolução da Doutrina Social da Igreja  sobre dignidade humana, bem comum, justiça social, trabalho, solidariedade, cuidado com as pessoas e o mundo criado, todos aspectos a serem considerados na cultura digital, com a palavra autorizada dos Papas  Leão XIII, Pio XI, João XXIII, Paulo VI, João Paulo II, Bento XVI  e  Francisco.

Critérios para julgar a tecnologia digital

Alguns questionamentos devem ser feitos como termômetros para medir a tecnologia:
Promove a dignidade? Aumenta a  fraternidade? Protege os frágeis? Favorece o bem comum?

 

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