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A mentira e a verdade se encontram em um dia agradável. A mentira convida a verdade para banhar-se num poço. Após o banho, a mentira se veste com as roupas da verdade e foge.
A verdade recusa-se a usar as vestes da mentira. Sai nua. Ao vê-la, a sociedade desvia o olhar, desprezando a "verdade nua e crua". A mentira viaja pelo mundo vestida de verdade, sendo bem aceita, enquanto a verdade fica escondida ou é rejeitada, ilustrando a preferência social por aparências.

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Essa parábola, intitulada "A Verdade saindo do poço", tema da pintura de Jean-Léon Gérôme, 1896, descreve como as pessoas muitas vezes preferem a mentira disfarçada de verdade.
Vivemos a “pós-verdade”
As notícias falsas ganharam muito espaço no mundo de hoje. Vivemos a "pós-verdade". Este termo foi eleito a palavra do ano pelo dicionário Oxford, em 2016. A “pós-verdade” convence não pelo racional, mas apelando ao emocional, ao engano, à mentira vestida com as roupas da verdade. As correntes políticas sempre usaram esta técnica. A disseminação rápida de informações e o desenvolvimento das redes sociais facilitaram a expansão de narrativas falsas.
A intenção é enganar, manipular opiniões, polarizar debates ou causar danos a terceiros, simulando contextos verdadeiros para enganar o público.
Com que objetivos, podemos perguntar. São ganhos financeiros, audiência, ou votos e poder, no caso dos políticos.
Desde quando se usam simulações
Notícias falsas não são exclusividade do nosso tempo. Em toda a história, episódios e rumores falsos foram espalhados, às vezes com graves consequências. Por exemplo:
Em 1835, o jornal The New York Sun publicou notícias falsas usando o nome de um astrônomo real e um colega inventado sobre a descoberta de vida na lua. O objetivo destas notícias foi aumentar as vendas do jornal. No mês seguinte, o jornal admitiu que os artigos eram apenas boatos. Mas, nem sempre há a retificação.

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Também no nosso dia a dia nos defrontamos, em toda parte, com fake news, das mais variadas formas: nas compras, nos pesos, nas medidas, nas palavras, até nas atitudes.
Tipos de fake news na era digital
A diretora da First Draft nos EUA, uma organização sem fins lucrativos, Claire Wardle, trabalha em soluções para os desafios da confiança e da verdade na era digital. Ela identifica sete tipos de notícias falsas:
1. Sátira ou paródia. Não há intenção de fazer mal, mas tem potencial para enganar.
2. Falsa conexão. No caso, as manchetes, legendas, títulos não dão suporte a conteúdo.
3. Conteúdo enganoso. É a má utilização da informação para abordar um problema ou falar sobre alguém.
4. Conteúdo falso. O verdadeiro conteúdo é compartilhado com informações falsas.
5. Conteúdo de impostor. Neste caso, as fontes verdadeiras são forjadas com conteúdo falso.
6. Manipulações de conteúdo. A informação genuína ou imagens são manipuladas para enganar. Por exemplo: fotos "adulteradas", distorcidas.
7. Conteúdo fabricado. O conteúdo novo é 100% falso, projetado para enganar e fazer mal.
O lucro de anúncios on-line, a polarização política e a popularidade das mídias sociais, têm motivado intensamente a propagação de notícias falsas.

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Lupas e filtros ajudam a detectar as notícias falsas. Como?
1. Checar a fonte.
2. Ler além do título: títulos chamam atenção, não basta ler somente o título. Leia a história completa.
3. Checar os autores: ver se eles realmente existem e se são confiáveis.
4. Procurar fontes de apoio: verificar outras fontes que suportem a notícia.
5. Checar a data da publicação: ver se a história ainda é relevante e atualizada.
6. Questionar se é uma piada: pode ser uma sátira.
7. Revisar preconceitos: estes podem estar afetando o julgamento.
8. Consultar especialistas: buscar uma confirmação de pessoas independentes.
Tarefa de todos: filtrar
Cabe a todas as pessoas estarem atentas, sobretudo em época de eleições, quando, por motivos políticos e pela "indústria de cliques" criada pelas plataformas de propaganda digital, são patrocinadas estas notícias.

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Elas se espalham facilmente nas redes sociais. Assim, são amplamente compartilhadas e comentadas, criam inimizades, divisões, despertam até ódio, antes que os usuários cheguem às fontes.
Outros efeitos nas redes sociais são a “bolha” ou a “câmara de eco”, em que pessoas se isolam de grupos com propostas diferentes, evitando, assim, que se possam derrubar as máscaras, revelar a verdade ou falsidade das notícias. É fundamental o uso dos filtros.
Primeiro de abril pode ser o ano todo!
