Comunicação

Protagonismo e pioneirismo da mulher na comunicação religiosa

Irmãs Paulinas na tipografia, realizando o apostolado na impressão de livros. Foto: Arquivo Paulinas

Duas palavras guiam esta pesquisa: protagonismo e pioneirismo. Protagonismo da mulher na comunicação religiosa, que na verdade é da mulher religiosa, consagrada, com a missão de comunicar, acrescida de uma temporalidade que envolve o que significa a cultura, do impresso ao digital.

Este protagonismo não é individual, mas de uma comunidade, uma instituição organizada e dirigida por mulheres. Entende-se que ser protagonista é ter a capacidade de tomar iniciativas, propor, agir, construir, reformular, ainda que haja barreiras sociais, culturais, religiosas, econômicas.

Ser protagonista, na década de 1930 no Brasil, enquanto mulheres numa sociedade pautada pelo masculino e numa imprensa, espaço público, à época, também predominantemente masculina, foi um desafio. 

Pioneirismo é o segundo conceito que acompanha esta investigação. Ser pioneiro, pioneira é abrir caminhos, descobrir, desbravar antes que outros tenham feito. E pensando no pioneirismo de mulheres religiosas no campo da comunicação, na década de 1930, um levantamento do lugar da mulher na sociedade e nas organizações familiar, educativa, eclesial, ajuda a pensar e a analisar a proposta, tendo em conta as mudanças sociais, tecnológicas, culturais, eclesiais. 

A evangelização no ambiente digital. Irmãs Paulinas, da esquerda para a direita: Alexsandra Araujo e Sheila Araújo. Foto: Viviani Moura, fsp

Esta pesquisa procurou analisar o protagonismo e o pioneirismo da mulher na comunicação religiosa, do impresso ao digital, verificando a trajetória e perspectivas da Congregação Filhas de São Paulo (Irmãs Paulinas), com 94 anos (1931-2025) de atuação missionária no Brasil, por meio de publicações e atuação pioneira também no campo da Pastoral da Comunicação, formação de lideranças no campo da comunicação, catequese e na dimensão bíblica.

Ainda que de forma limitada, procurou documentar a experiência deste grupo de mulheres dedicadas à comunicação religiosa, iniciado, na Itália, em 1915.

A missão das Irmãs Paulinas é evangelizar, formar, educar, servindo-se dos meios de comunicação social como mediadores neste processo. A comunicação é aqui entendida como mediação cultural, em que os meios de comunicação se tornam mediadores na evangelização, que não se restringe ao campo estritamente religioso, mas à formação humana e cultural.

Padre Tiago Alberione foi visionário e adiantou os tempos. Iniciou uma obra que equipara a missão da mulher com a “boa imprensa”, à pregação feita nas Igrejas, na época, exclusiva dos presbíteros, com a missão de escrever, imprimir e divulgar, ir à rua, em livrarias, formando bibliotecas.

Beato Tiago Alberione e a Venerável Irmã Tecla Merlo, co-fundadora da Congregação das Filhas de São Paulo. Foto: Arquivo Paulinas

No livro “A mulher associada ao zelo sacerdotal”, a imprensa é apresentada como apostolado aberto à mulher: “Antes de tudo, uma mulher, se dotada de cultura, pode escrever. Nosso pensamento é a difusão do Evangelho antes de tudo através da Imprensa, como outros fazem especialmente com a palavra, são necessárias escritoras, tipografas”.

Um aspecto importante a destacar é a identidade e a visão que movem esta missão, bem como os princípios que dão sentido a ela, o senso de universalidade: o essencial desta missão é tornar Jesus Cristo mais conhecido e amado com os meios modernos da comunicação social, com novas linguagens, novos métodos e novo ardor missionário. O Apóstolo Paulo é figura emblemática da qual o Fundador absorveu toda a mística e dinamismo para a missão.

Alberione afirma: “Se São Paulo vivesse hoje, continuaria a inflamar-se com aquela dupla chama de um mesmo incêndio: o zelo por Deus e pelo seu Cristo, e pelos homens de todas as nações. E, para ser mais ouvido, falaria dos púlpitos mais altos e multiplicaria sua palavra com os meios do progresso atual: imprensa, cinema, rádio, televisão."

Num tempo em que o tema da mulher é pauta internacional e sua emancipação faz parte dos Direitos Humanos, entende-se que resgatar uma história de mulheres religiosas, cujo DNA é a evangelização com a comunicação, é também contribuir para dar visibilidade a este segmento na sociedade e na Igreja.

Mulheres que não falam tanto de si porque têm claro que elas apontam para o essencial, o anúncio de Jesus Cristo, ou, que todas as pessoas se sintam amadas por Deus e sejam felizes, encontrando sentido para sua vida. Não falam tanto de si porque, como profissionais da comunicação, sabem que sua missão é ser mediadoras, dando voz às diferentes pessoas, realidades e situações, como pode ser percebido nesta pesquisa.

Veja a síntese desta pesquisa na live “Protagonismo da mulher na comunicação religiosa:

*Trata-se da pesquisa realizada na Universidade de São Paulo (USP), na Escola de Comunicações e Artes (ECA) no pós-doutorado da autora.  

 

Leia mais

Livros de Irmã Helena Corazza publicados pela Paulinas Editora. 

Site Desenvolvido por
Agência UWEBS Criação de Sites