Foto: Viviani Moura, fsp
Em meio ao calor amazônico e ao clamor de povos tradicionais, centenas de pessoas tomaram as ruas de Belém neste sábado (15) na Marcha Mundial pelo Clima, um dos atos mais emblemáticos que acontecem de forma paralela às atividades e reuniões da 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30), um grande encontro internacional organizado pela Organização das Nações Unidas (ONU), que ocorre dos dias 10 a 21 de novembro de 2025 em Belém, no Pará.
Foto: Viviani Moura, fsp
Entre os grupos que marcaram presença com forte testemunho de fé e compromisso social, destacou-se a Conferência dos Religiosos e Religiosas do Brasil (CRB), representada pela Rede Um Grito pela Vida, força ativa da Igreja Católica na defesa da dignidade humana e do cuidado com a criação.
Religiosos e religiosas: presença profética e solidária
A participação da CRB na marcha reforçou o compromisso da vida consagrada com as urgências socioambientais e com a proteção dos mais vulneráveis. Fundada em 2006, a Rede Um Grito pela Vida é uma iniciativa intercongregacional composta por religiosas e religiosos de diversas congregações, além de leigas e leigos comprometidos com a erradicação do tráfico de pessoas— realidade que se agrava diante das desigualdades criadas pela crise climática.
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Para Ir. Maria do Disterro Rocha Santos, das Filhas do Coração Imaculado de Maria – Irmãs Cordimarianas, recém-eleita presidente da CRB para o triênio 2025-2028, estar presente na marcha é expressão direta da missão evangélica:“Estar como CRB significa estar atenta e traduzir na vida o que o próprio Cristo disse: ‘Eu vim para que todos tenham vida e a tenham em abundância’. Nossa fé está conectada à vida, e nossa vida consagrada é oferta cotidiana em defesa dos povos, dos territórios e de cada pessoa humana.”
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A religiosa também alertou para a relação entre crise ambiental e violação de direitos, destacando a importância da prevenção ao tráfico humano:
“O tráfico acontece de forma sutil, e precisamos defender a vida, sobretudo mulheres e meninas, que são as que mais sofrem. Nossa voz é de protesto e profecia em favor das pessoas feridas por essa realidade.”
Crise climática e vulnerabilidade: alerta das religiosas
A mesma preocupação foi reforçada por Ir. Sandra Camilo Ede, uma das coordenadoras da Rede Um Grito pela Vida, que recordou o papel profético dos religiosos e religiosas diante das injustiças que atravessam a sociedade:
“As mudanças climáticas geram vulnerabilidade, e a vulnerabilidade é porta aberta para o tráfico de pessoas. Nosso papel é gritar contra o que fere o ser humano, mas também anunciar caminhos possíveis para viver sem exploração, sem destruir a natureza e sem traficar pessoas.”
Foto: Viviani Moura, fsp
Segundo a religiosa, a ação da Rede se concentra sobretudo na prevenção: orientar as pessoas sobre riscos, causas e consequências da exploração, além de projetos e propostas de mudança.
Marcha Mundial pelo Clima: um grito coletivo pela vida
Com o tema “Lutar e Resistir contra os Predadores da Vida Disfarçados de Progresso”, a marcha reuniu organizações da sociedade civil, representantes dos setores público e privado, povos tradicionais, como indígenas, ribeirinhos, quilombolas, coletivos urbanos, movimentos sociais, organizações ambientais, em defesa de ações de combate à mudança climática. A concentração ocorreu no Mercado de São Brás, com chegada na Aldeia Amazônica.
Foto: Viviani Moura, fsp
Justiça ambiental e climática
Os participantes reafirmaram a necessidade de justiça climática e ambiental, denunciando os impactos de políticas predatórias que atingem sobretudo comunidades tradicionais e periféricas. Para muitos, o ato representa uma oportunidade decisiva de levar às negociações da COP30 a voz de quem vive diretamente os efeitos das mudanças climáticas.
Foto: Viviani Moura, fsp
A presença da CRB e da Rede Um Grito pela Vida, ao lado desses grupos, reforça a dimensão integral do compromisso da Igreja com a Casa Comum: defesa do meio ambiente, proteção da vida humana e cuidado especial com aqueles que mais sofrem.
Uma ponte entre fé, justiça e ecologia
Enquanto a COP30 define sua agenda final de discussões, a Marcha Mundial pelo Clima ecoou um pedido urgente: que as decisões políticas levem em conta a vida dos povos amazônicos e o futuro do planeta. No meio da multidão, os religiosos e religiosas da CRB testemunharam, com simplicidade e firmeza, que fé e justiça caminham juntas.
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