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Respiro de silêncio para a Quaresma

Foto: Pexels

A Quaresma é um tempo sagrado de silêncio interior, conversão e retorno de todo o nosso ser a Deus. É o caminho de quarenta dias que a Igreja nos convida a percorrer em sintonia com a Campanha da Fraternidade que tem como tema “Fraternidade e Moradia” e o lema “Ele veio morar entre nós” (Jo 1,14). Desse modo, a Igreja no Brasil se insere num caminho de conversão pessoal e comunitária que toca um dos direitos humanos mais elementares: o direito de ter onde morar com dignidade.

O silêncio quaresmal não deve nos tornar indiferentes, apáticos ao sofrimento dos pobres e vulneráveis, pelo contrário, deve aguçar a nossa sensibilidade e a nossa inteligência espiritual para uma escuta atenta e compassiva da realidade que nos cerca.

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A Campanha da Fraternidade 2026, ao colocar a moradia no centro da Quaresma, nos convida a enxergar nessas situações não apenas um “problema social”, mas um lugar de sofrimento do Corpo de Cristo. A ausência ou precariedade da casa fere a dignidade da pessoa humana, a integridade da família, o bem-estar das crianças, a possibilidade de viver a fé de modo mais sereno e palpável. A casa é lugar sagrado. É espaço de silêncio, partilha, convivência e oração. A casa não é um detalhe exterior, mas o espaço onde essa comunhão de pessoas se torna concreta e se desenvolve. Sem casa, a “Igreja doméstica”, “santuário da vida” e do amor, fica profundamente ferida em sua base.

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O lema da CF 2026 – “Ele veio morar entre nós” – remete ao coração do Evangelho: o mistério da Encarnação. O prólogo do Quarto Evangelho afirma que o Verbo “armou a sua tenda entre nós” (Jo 1,14), evocando a antiga tenda do encontro no deserto e anunciando uma nova forma de presença de Deus: não mais encerrado em um templo de pedra, mas habitando na carne humana, nas casas, nas aldeias, nas cidades, nas mesas partilhadas etc. A moradia humana torna-se, assim, lugar teológico, isto é, lugar da fé e da vida conjugada no aqui e agora.

A penitência do Tempo Quaresmal não deve ser apenas interna e individual, mas também externa e social. Que todos nós possamos silenciar para ouvir o clamor, o choro de tantos irmãos e irmãs sem moradia e sem dignidade para viver. Que o Deus da vida nos dê a graça da conversão não só do coração, mas principalmente de mentalidade.

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O respiro de silêncio na Quaresma é um convite à reflexão, à oração e à metanoia, transformando o “deserto” interior em um oásis espiritual. Mais que ausência de barulho, é um espaço de escuta da voz de Deus e de exame de consciência, permitindo a purificação, o fortalecimento da fé e a valorização do essencial que é invisível aos olhos, como bem dizia o poeta e escritor, Antoine de Saint-Exupéry.

Eis um exercício para meditar ao longo dos 40 dias:
 

Respire: 
Senhor Jesus Cristo tu és o Crucificado!
Expire:
Entre nós está e não O conhecemos!
Respire:
Senhor Jesus Cristo tu és o Ressuscitado! 
Expire:
Entre nós está e nós O desprezamos!
Para concluir a meditação. Repita como um mantra:
Senhor tu és minha vida (nossa vida)
Outro Deus não há 
Tu estás no meio de nós 
Vivo e Ressuscitado!
A Ti o louvor sem fim
Pelos séculos dos séculos 
Amém!


Eder Vasconcelos é irmão franciscano. Autor do livro “Pedagogia do silêncio: Um caminho para a interioridade”, da Paulinas Editora. 

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