Artigos
Artigos

Saiba mais sobre a mensagem do Papa para o Dia Mundial das Missões

Foto: Pixabay

O Dia Mundial das Missões foi instituído em 1926, pelo Papa Pio XI, a ser celebrado no terceiro domingo de outubro, para renovar o compromisso com a missão universal da Igreja. Por sua vez, a primeira mensagem para o Dia Mundial das Missões foi em 1963, pelo Papa Paulo VI.

Neste ano, o lema do mês missionário é “Ide, convidai a todos para o banquete” (Mt 22,9), tirado da mensagem de Francisco, e o tema, “Com a força do Espírito, testemunhas de Cristo” em sintonia com o 6º Congresso Missionário Americano (CAM6), que acontecerá em novembro, em Porto Rico. 

1. “Ide e convidai!”, a missão como ida incansável e convite para a festa do Senhor

O tema da mensagem do Papa para o Dia Mundial das Missões está inserido em duas parábolas: os convidados à festa de casamento do filho do rei (Mt 22,1-10) e do traje de festa (Mt 22,11-13). Depois que os convidados recusaram o convite, o rei disse aos servos: “Ide às saídas dos caminhos e convidai para as bodas todos quantos encontrardes”.

Foto: Pixabay

No contexto das parábolas o Papa ilustra alguns aspectos importantes da evangelização, "tais aspectos revelam-se particularmente atuais para todos nós, discípulos missionários de Cristo, nesta fase final do percurso sinodal que, conforme o lema ‘Comunhão, participação, missão’, deverá relançar na Igreja no anúncio do Evangelho no mundo contemporâneo".

A missão é uma ida incansável e um convite para a festa do Senhor, para toda a humanidade, ir ao encontro e à comunhão com Deus. Deus está sempre em saída, indo ao encontro do ser humano para o chamar à felicidade do Reino, apesar da indiferença ou da recusa.

Logo, todo cristão é chamado a fazer parte da missão universal, levando o Senhor e Mestre rumo às “saídas dos caminhos” do mundo atual. Por isso, todos os batizados são chamados a sair de novo, segundo a própria condição de vida, em um movimento missionário, como nos alvores do cristianismo.

O Bom Pastor procura as ovelhas perdidas, vai além, alcança as ovelhas distantes (cf. Jo 10,16). A Igreja também ultrapassa todo e qualquer limite, saindo incessantemente a fim de cumprir a missão de anunciar a Boa Nova.

O Papa lembra que os discípulos missionários devem realizar a missão "com alegria, magnanimidade, benevolência, que são frutos do Espírito Santo; sem imposição, coerção nem proselitismo; mas sempre com proximidade, compaixão e ternura, que refletem o modo de ser e agir de Deus. 

2. “Para o banquete”, perspectiva escatológica e eucarística da missão

A imagem da salvação no Reino de Deus se realiza com a vinda do Messias, que traz vida em abundância (Jo 10,10), simbolizada pela mesa preparada com “carnes gordas, acompanhadas de vinhos velhos”, quando Deus “aniquilar a morte para sempre” (Is 25,6-8). Inclusive, o papa recorda que a missão de Cristo é missão da plenitude dos tempos: “completou-se o tempo e o Reino de Deus está próximo” (Mc 1,15). 

O caráter escatológico do compromisso missionário, “desenrola-se entre o primeiro e o segundo advento do Senhor (…). Antes do Senhor vir, tem de ser pregado o Evangelho a todos os povos” (AG, 9).

O zelo missionário, nos primeiros cristãos, tinha a dimensão escatológica, a urgência do anúncio do Evangelho. Também hoje, é importante ter presente tal perspectiva, porque ajuda a evangelizar com a alegria de quem sabe que “o Senhor está perto”, com a esperança de todos estarmos com Cristo no banquete nupcial no Reino de Deus.

Foto: Pixabay

Francisco recorda que a plenitude de vida é o banquete da Eucaristia. O convite ao banquete escatológico, levado a todos na missão evangelizadora, é ligado ao convite para a mesa eucarística, onde o Senhor alimenta com sua Palavra e com seu Corpo e Sangue. Por isso, em cada celebração eucarística realiza-se sacramentalmente a unificação escatológica do povo de Deus.

O banquete eucarístico é uma antecipação real do banquete final, preanunciado pelos profetas (Is 25,6-9) como “as núpcias do Cordeiro” (Ap 19,7-9), celebrada na comunhão dos santos (SC, 31). A Eucaristia deve despertar o espírito missionário em todos.

3. “Convidai a todos”, a missão é universal e sinodal

A missão é universal em uma Igreja toda sinodal e missionária, que não exclui ninguém, todos têm lugar na mesa, maus e bons, porque Deus “quer que todos os homens sejam salvos e cheguem ao conhecimento da verdade” (1Tim 2,4).

Nesse sentido, todos somos enviados a anunciar o Evangelho a todos, na partilha da alegria, indica um horizonte estupendo, oferece um banquete apetecível” (EG, 14). O convite é para todos, sem ver a condição social e nem moral, “todos aqueles que encontraram, maus e bons” (Mt 22,10). Os convidados especiais são “os pobres, os estropiados, os cegos e os coxos” (Lc 14,21), os últimos e os marginalizados. 

O banquete nupcial permanece aberto a todos, porque “tanto amou Deus o mundo, que lhe entregou o seu Filho Unigênito, a fim de que tudo o que n’Ele crê não se perca, mas tenha a vida eterna” (Jo 3,16).

Por isso, todos somos destinatários do convite de Deus para participar da graça que transforma e salva. Basta dizer “sim” ao dom divino gratuito, acolhendo-o e deixando-se transformar, com “traje nupcial” (Mt 22,12).

Foto: Pixabay

A missão para todos requer o empenho de todos, na caminhada sinodal missionária. Nesse sentido, a sinodalidade é missionária e, vice-versa, na cooperação missionária, seja na Igreja universal e nas Igrejas particulares. 

O papa termina invocando Maria intercessora na festa de núpcias, em Caná da Galileia (Jo 2,1-12). O Senhor ofereceu aos noivos e a todos a abundância do vinho novo, sinal antecipado do banquete nupcial que Deus prepara para todos no fim dos tempos. 

Pe. Rafael Lopez Villasenor é Secretário Nacional da Pontifícia União Missionária.
 

Site Desenvolvido por
Agência UWEBS Criação de Sites