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Santa Dulce: a “religiosa do século XX”

No Dia do Religioso(a), recordamos o Anjo Bom da Bahia

Foto: Acervo das Obras Sociais Irmã Dulce

Maria Rita de Sousa Brito Lopes Pontes (26 de maio de 1914 — Salvador - 13 de março de 1992), conhecida pelo seu nome de Congregação religiosa, Irmã Dulce ou Santa Dulce dos Pobres, será sempre lembrada por suas obras de caridade e assistência aos pobres e necessitados. Por isso, foi apelidada de “Anjo Bom da Bahia”.

Irmã Dulce e suas numerosas atividades

Em 8 de fevereiro de 1933, após sua formatura em Magistério, Maria Rita entrou para a Congregação das Irmãs Missionárias da Imaculada Conceição da Mãe de Deus, em São Cristóvão, Sergipe, onde recebeu o hábito religioso, mudando seu nome para Irmã Dulce, em homenagem à sua mãe.

Desde muito cedo, na juventude, Irmã Dulce já enchia a casa de seus pais, acolhendo doentes. Criou e ajudou a criar várias instituições filantrópicas, uma das quais é o Hospital Santo Antônio.

A primeira missão de Irmã Dulce como religiosa foi ensinar em um colégio, mantido pela sua Congregação, no bairro da Massaranduba, Cidade Baixa de Salvador. Mas, seu pensamento estava sempre voltado para os pobres.

Para o Papa Leão XIV, a essência da Vida Religiosa Consagrada é o testemunho vivo da presença de Deus, fundamentada na oração e na caridade. A Vida Religiosa Consagrada não existe para si mesma, para a manutenção de suas estruturas e preservação de seus membros. O Papa destaca que o valor da vida consagrada está no testemunho de entrega aos mais necessitados. Assim viveu Irmã Dulce.

Foto: Acervo das Obras Sociais Irmã Dulce

Em 1935, Irmã Dulce começou a dar assistência à comunidade pobre dos Alagados, no bairro de Itapagipe, localizado em Salvador (BA). 

 

“Toda nossa força está na oração. Sem ela, não podemos fazer nada. É por intermédio da oração que obtemos de Deus as graças necessárias para executar bem nossa missão entre os pobres”

(Santa Dulce dos Pobres)

Ao encontro dos mais pobres

Os pilares da Vida Religiosa Consagrada que dão suporte ao amor pelos necessitados são: testemunho, profecia, opção pelos excluídos e vulneráveis, centralidade em Jesus Cristo.

Em 2001, foi eleita "a religiosa do século XX", em uma eleição que foi publicada pela revista Isto É.

Suas obras de caridade são referência nacional, e ganharam repercussão pelo mundo. Seu nome é sempre relacionado à caridade e amor ao próximo, fato pelo qual é intitulada "Mãe dos Desamparados”.

Beatificada em Salvador no ano de 2011 por Dom Geraldo Majella Agnelo, representante do Papa Bento XVI, foi canonizada em 13 de outubro de 2019 pelo Papa Francisco. Com o título de Santa Dulce dos Pobres, consagrou-se como a primeira santa nascida em solo brasileiro. 

Foto: Acervo das Obras Sociais Irmã Dulce

13 de agosto – Dia Estadual da Irmã Dulce

Em 2014, o governador da Bahia, Jaques Wagner, decretou o dia 13 de agosto como o Dia Estadual em Memória à Bem-Aventurada Dulce dos Pobres. Anos mais tarde, a Lei nº 14.584, de 16 de maio de 2023, oficializou sua inclusão no Livro dos Heróis e Heroínas da Pátria. 
Hospital Santo Antônio: coração das obras de Irmã Dulce

A história do Hospital Santo Antônio (HSA) se confunde com o nascimento da própria instituição. Suas raízes datam de 1949, quando Irmã Dulce improvisou, no galinheiro do convento, um abrigo para 70 doentes resgatados das ruas de Salvador. Já em 1960, inaugura-se no local o Albergue Santo Antônio, centro que dará lugar ao complexo hospitalar duas décadas depois, com a inauguração do HSA em 1983. Atualmente, o hospital é uma das maiores unidades de saúde do Norte e Nordeste do país e uma das mais bem equipadas da Bahia. 

O complexo, que se tornou referência na assistência à população carente – inclusive de outros estados – registra hoje uma média de 16,5 mil internações e 10 mil cirurgias anuais. Com 373 leitos e um Centro de Tratamento Intensivo, o HSA oferece atendimento em 17 especialidades. Além disso, Irmã Dulce dos Pobres sempre atende aos que contam com sua intercessão.

Afastamento e retorno de Irmã Dulce à Congregação 

Algumas superioras a questionaram sobre a observância das Constituições. Irmã Dulce e as irmãs de sua comunidade viviam o essencial da oração e da fraternidade, mas não podiam abrir mão da assistência aos pobres. Pediu conselhos a pessoas sábias e prudentes, inclusive ao arcebispo. Todos lhe diziam o mesmo: continue dócil à vontade de Deus e solícita para com os pobres. 

Foto: Acervo das Obras Sociais Irmã Dulce

Diante da intransigência de uma Provincial, foi obrigada a pedir exclaustração. A comunidade do Convento Santo Antônio foi dissolvida, as irmãs foram destinadas a outras casas e Dulce ficou sozinha. Mas, sustentava sua  intenção: “Quero morrer como religiosa, membro de nossa Congregação.” Dom Eugênio de Araújo Sales acompanhou o discernimento de Irmã Dulce. Vestida com o hábito da Congregação, continuou a observar integralmente sua vida religiosa, residindo no Convento Santo Antônio, junto aos pobres. A 8 de maio de 1969, escrevia à Superiora Geral: “Continuo, como sempre, com muito trabalho. Recebo a Santa Comunhão todos os dias e faço minhas orações (...) não estou só, porque estou com Deus.”

Em 1975, o Cardeal Arcebispo Dom Avelar Brandão Vilela interveio em favor da Irmã Dulce, solicitando à Superiora Geral: “Venho fazer-lhe um apelo com relação à readmissão de Irmã Dulce na Congregação. Acredito que tenha chegado o momento de dar-lhe esse conforto espiritual. Ela deseja, ardentemente, merecer essa graça. E, de fato, merece-a”.

No dia 2 de janeiro de 1976, a Congregação reintegra Irmã Dulce ao seu quadro. Assim, era reconhecida a singularidade do carisma pessoal que ela havia recebido do Espírito, recolocado no panorama mais amplo do carisma da Congregação das Missionárias da Imaculada Conceição da Mãe de Deus, do qual Irmã Dulce jamais abrira mão. “Um chamado dentro do chamado”, como costumava traduzir a especificidade de sua vocação, Madre Teresa de Calcutá.

Associação Filhas de Maria Serva dos Pobres

Em 1984, Irmã Dulce recebe algumas jovens desejosas de dedicar-se inteiramente ao serviço dos pobres. Após comunicar ao Arcebispo, reúne-as no educandário de Simões Filho.

Sua intenção era fundar uma associação de mulheres consagradas que pudessem dar continuidade à sua obra. O pequeno grupo inicial, de onze moças, era orientado por sacerdotes amigos de Irmã Dulce e apoiado economicamente por benfeitoras. Nasceu, assim, a Associação das Filhas de Maria Servas dos Pobres.

Oração Oficial de Santa Dulce 

Senhor nosso Deus, lembrados de vossa filha, a Santa Dulce dos Pobres, cujo coração ardia de amor por Vós e pelos irmãos, particularmente os pobres e excluídos, nós vos pedimos: dai-nos idêntico amor pelos necessitados; renovai nossa fé e nossa esperança e concedei-nos, a exemplo desta Vossa filha, viver como irmãos, buscando diariamente a santidade, para sermos autênticos discípulos missionários de Vosso Filho Jesus. Amém.
Santa Dulce dos Pobres, rogai por nós. 


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