“Senhor, fazei de mim um instrumento de vossa paz”
É difícil encontrar alguém que nunca tenha ouvido essas palavras. A conhecida Oração de São Francisco foi traduzida para diferentes idiomas e ganhou inúmeras versões musicais. Tornou-se uma das preces mais populares associadas ao santo de Assis e continua sendo rezada em igrejas, comunidades, encontros, celebrações e também no silêncio do coração.
Em 2026, a oração ganha um grande significado porque a Igreja celebra o oitavo centenário da morte de São Francisco de Assis, que morreu em 3 de outubro de 1226. Sua memória litúrgica é celebrada em 4 de outubro.
Oito séculos depois, Francisco continua sendo um dos santos mais conhecidos no mundo. Sua vida, marcada pelo Evangelho, pela fraternidade, pela simplicidade, pelo amor aos pobres, pela paz e pelo cuidado com a criação, ainda inspira cristãos de diferentes lugares e gerações.

Imagem de São Francico de Assis (Assis - Itália). Foto: Juliene Barros
Uma oração que atravessa territórios
Antes de aprofundar o significado dessa prece, há uma curiosidade importante: a Oração de São Francisco não foi escrita pelo santo de Assis.
Embora seja tradicionalmente atribuída a ele, a oração é posterior à sua morte. Segundo a Província Franciscana da Imaculada Conceição do Brasil, ela apareceu no início do século XX, inicialmente de forma anônima e, somente depois, passou a ser relacionada diretamente a São Francisco.
Isso, porém, não diminui a beleza dessa prece e tampouco diminuiu a sua enorme popularidade.
A oração tornou-se tão ligada a Francisco porque expressa valores presentes em sua espiritualidade: paz, perdão, fraternidade, humildade, esperança e amor. É como se, muitos séculos depois, alguém tivesse colocado em palavras uma síntese do caminho que o santo procurou viver.
“Fazei de mim um instrumento de vossa paz”
A primeira frase já muda a perspectiva da oração. Francisco não pede simplesmente: “Senhor, dai-me paz”.
Ele pede: “Fazei de mim um instrumento de vossa paz”. Existe uma diferença.
Quem reza dessa maneira não está apenas pedindo que Deus retire os conflitos de sua vida. Está oferecendo a si mesmo para participar da construção da paz. Em vez de perguntar apenas “o que Deus pode fazer por mim?”, ela nos leva a perguntar: “O que Deus pode fazer por meio de mim?”

São Francisco de Assis. Pintura de Cigoli. Foto: Domínio público
Onde houver ódio, que eu leve o amor
Em seguida, a primeira parte da oração apresenta uma série de “contrastes”:
Onde houver ódio, que eu leve o amor.
Onde houver ofensa, que eu leve o perdão.
Onde houver discórdia, que eu leve a união.
Onde houver dúvida, que eu leve a fé.
Onde houver erro, que eu leve a verdade.
Onde houver desespero, que eu leve esperança.
Onde houver tristeza, que eu leve a alegria.
Onde houver trevas, que eu leve a luz!
Em vez de se questionar apenas “o que estão fazendo comigo?”, esses versos nos convidam a responder de forma diferente.
Se encontro ódio, posso escolher não alimentá-lo. Se recebo uma ofensa, posso buscar o caminho do perdão. Se encontro divisão, posso procurar aquilo que une.
Não significa ignorar injustiças ou fingir que os conflitos não existem. A paz cristã não é simplesmente ausência de problemas. Por isso, ser instrumento de paz é uma atitude concreta.
“Fazei que eu procure mais…”
A segunda parte da oração aprofunda ainda mais esse caminho:
Ó Mestre, fazei que eu procure mais:
consolar, que ser consolado;
compreender, que ser compreendido;
amar, que ser amado.
Pois é, dando, que se recebe.
Perdoando, que se é perdoado e
é morrendo que se vive para a vida eterna!
Tratam-se de pedidos que tiram o olhar de nós mesmos. A verdadeira felicidade não consiste em olhar para o nosso próprio “eu”, contudo para Deus, em primeiro lugar, e para cada pessoa que Ele coloca em nosso caminho.
Um caminho ainda é a configuração a Cristo, que, sendo de condição divina, não se prevaleceu de sua igualdade com Deus, mas aniquilou-se a si mesmo, assumindo a condição de escravo e assemelhando-se aos homens. E, sendo exteriormente reconhecido como homem, humilhou-se ainda mais, tornando-se obediente até a morte, e morte de cruz. Por isso, Deus o exaltou soberanamente e lhe outorgou o nome que está acima de todos os nomes, para que, ao nome de Jesus se dobre todo joelho no céu, na terra e nos infernos. E toda língua confesse, para a glória de Deus Pai, que Jesus Cristo é Senhor (Fil 2, 6-11).
Por sua morte, Jesus nos ensina que também a nossa cruz é só passagem para a eternidade! É na doação de nós mesmos que renascemos. Frutos que podemos colher ainda nesta terra, mas, em especial, na pátria celeste!
Ouça, nas plataformas digitais, as diferentes versões da Oração de São Francisco em forma de canção. E reze com essa melodia tão conhecida e agradeça ao Senhor, porque transformou a vida do Pobrezinho de Assis, tornando-se para nós modelo de santidade.
Pe. Irala - Oração de São Francisco
Pe. Agnaldo José - Oração de São Francisco
Cantores de Deus - Oração de São Francisco (no programa Universo em Canção)
Luiz A. Karam - Oração de São Francisco
Josmar Braga | Coro Edipaul - Oração de São Francisco
Tiago Iorc - Oração de São Francisco
Produtos Paulinas
Conheça as publicações Paulinas sobre São Francisco de Assis
Leia também
Paráfrase da oração de São Francisco
Amizade entre os santos
