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São Maximiliano Kolbe: uma vida doada em meio ao holocausto

Ainda criança, recebeu de Nossa Senhora a coroa do martírio e da pureza, como sinal do que aconteceria em sua vida e sacrifício

Raimundo Kolbe - São Maximiliano quando criança. Foto: Arquivo Milícia da Imaculada Internacional

Quando criança, ele era um menino esperto, ativo e até um pouco travesso. Raimundo Kolbe nasceu na pequena cidade de Zduńska Wola, na Polônia, no dia 8 de janeiro de 1894. Em um dos episódios de suas travessuras, já na cidade de Pabianice, sua mãe Maria Dabrowska o pergunta com um certo temor: “o que será de você, meu filho?”.

Preocupado com a pergunta da mãe, o garoto corre para a igreja, e ajoelhado aos pés de “Nossa Senhora Negra” — a padroeira da Polônia —, o pequeno Kolbe tem um encontro com a Mãe de Jesus na qual ela lhe oferece duas coroas de flores: uma coroa branca, na qual representava a pureza e uma vermelha, que representava o martírio e o sofrimento. Ao ser questionado sobre qual das duas ele queria para a sua vida, ele responde: “as duas”.

O tempo passa, e Kolbe continua a demonstrar cada vez mais o seu interesse pela vida e entrega nas mãos de Nossa Senhora. A resposta ao chamado de Deus para a vocação sacerdotal veio cedo, e com apenas 16 anos entrou para a Ordem dos Frades Menores Conventuais e recebeu o nome de Maximiliano.

Em suas veias corria não só o sangue, mas o desejo de conquistar o mundo inteiro a Deus, pelas mãos da Virgem Imaculada. Foi um incansável em sua obra, e para espalhar ainda mais a Vontade de Deus em 1917, fundou a Milícia da Imaculada em Roma. Juntamente com seus companheiros de espiritualidade, o jovem Maximiliano, que logo se tornaria sacerdote no ano seguinte, tinha em seu coração uma chama ardente pela evangelização.

Local de fundação da Milícia da Imaculada em Roma por São Maximiliano. Foto: Juliene Barros

Por meio da tipografia, fundou a revista "O Cavaleiro da Imaculada" e também a cidade de Maria, chamada Niepokalanów. Como um bom cavaleiro, lutou e desbravou não só a Polônia e a Europa, mas também levou a sua missão ao Oriente, chegando até o Japão.

Olhando de forma resumida, pode até parecer que foram mais flores do que cruzes durante o seu apostolado. Não, não foi fácil. A cada etapa de sua vida, a flor presente era a flor do martírio, como se já indicasse o que estaria por vir. Passou por doenças como a tuberculose e ainda assim, seguiu firme com o seu propósito de conquistar o mundo inteiro através da Imaculada.

Veio então a Segunda Guerra Mundial. A Polônia foi um dos países que sofreu com tanta destruição em massa, perseguições aos judeus, católicos, negros, e tantas situações na qual eram vistas pelos nazistas como inferiores.

Kolbe, acolheu refugiados, continuou a produzir e a evangelizar com a sua revista com centenas de milhares de exemplares. Sua presença e missão era uma ameaça.

Em 17 de fevereiro de 1941, foi preso e levado ao campo de extermínio em Auschwitz. Um lugar de morte. De dor. De sofrimento. De angústia e de separação. Famílias eram separadas e destruídas, maridos e esposas eram colocados cada um de um lado do campo… era doloroso.

Campo de concentração de Auschwitz recorda São Maximiliano. Foto: Juliene Barros

Kolbe já não era mais Kolbe. Ele tornara-se um número: 16670.

Os “números” eram forçados a trabalhar, a serem experimentos, a terem uma vida fadada à morte a qualquer momento por um mísero passo em falso. Mesmo em meio ao sofrimento, Frei Kolbe mantinha os olhos e o coração fixo em Jesus e Maria. Cantava, celebrava e animava os outros detentos da forma que podia. Mesmo cansado e abatido em seu calvário, a sua esperança se encontrava em Deus. 

Dia após dia, o martírio se concretizava. Até que, em um dia, um prisioneiro fugiu. E quem pagaria por este infortúnio? Dez prisioneiros do Bloco 14, no qual Frei Kolbe acabara de ser transferido.

Dez vidas seriam escolhidas para serem retiradas lentamente no bunker da fome. Enfileirados, “os números” são escolhidos um a um. A tensão pairava no ar na escolha de cada um. Até que, em um momento, um deles se coloca em desespero. O jovem sargento Francisco Gajowniczek, um pai de família, chora incontrolavelmente ao ser escolhido pelos nazistas. 

Francisco Gajowniczek e sua família: prisioneiro salvo por São Maximiliano Kolbe. Foto: Arquivo Milícia da Imaculada Internacional

Num ato heroico e de entrega, Frei Kolbe dá um passo. E outro e outro. Ao desacatar a ordem de ficar estático, o sacerdote já poderia ter sido morto por um dos oficiais. Um primeiro milagre em meio àquele inferno. Kolbe se direciona aos oficiais e faz algo inexplicável.

Pede para morrer no lugar de um dos condenados: o pai de família. Aos 47 anos, Frei Kolbe se coloca como inútil ao trabalho do campo de concentração. Outro milagre: a troca é aceita. O número 5659 é salvo por 16670.

Última foto de São Maximiliano no campo de concentração. Foto: Arquivo Milícia da Imaculada Internacional

Ao serem colocados no pequeno bunker, os prisioneiros vão morrendo lentamente. Maximiliano ainda resiste. Sua morte se dá no dia 14 de agosto, após estender seu braço e entregar sua vida para receber uma injeção mortal de ácido fênico e dizer as suas últimas palavras: “Ave, Maria!”.

Seu corpo foi cremado em Auschwitz no dia 15 de agosto, dia da Assunção de Maria ao Céu, e suas cinzas, espalhadas em todo o mundo, onde ainda ecoa a sua missão.

Francisco Gajowniczek na Beatificação de São Maximiliano. Foto: Arquivo Milícia da Imaculada Internacional

O pai de família, Francisco Gajowniczek, ainda foi prisioneiro por mais quatro anos. Viveu até os 93 anos, e dedicou a sua vida a anunciar o gesto de Frei Kolbe. Gajowniczek esteve presente na beatificação de São Maximiliano Maria Kolbe em 1971, junto ao então Papa Paulo VI, e na canonização do Santo Mártir em 1982, com João Paulo II. 

Uma vida foi doada para que outras pudessem viver. Eis a entrega de São Maximiliano Maria Kolbe!

Conheça mais sobre São Maximiliano Kolbe:

-    Fime “Maximiliano Kolbe - Mártir da caridade” 



 

 

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