
Foto: Pexels
Amoris Laetitia em seu capítulo terceiro, apresenta como que uma síntese do ensinamento da Igreja sobre o matrimônio. No núcleo do capítulo está a seção com o título “O sacramento do matrimônio”. Francisco acentua a doutrina de que Cristo elevou a união do homem e da mulher a sinal sacramental de seu amor pela Igreja, é então ação da graça e não somente obra humana.
"O sacramento do matrimônio não é uma convenção social, um rito vazio ou o mero sinal externo de um compromisso. O sacramento é um dom para a santificação e a salvação dos esposos” (AL 72). Outra característica do matrimônio ressaltada é de ser imagem e semelhança da Trindade, isso é dito pelo Papa com base nos Padres sinodais: A Escritura e a Tradição abrem-nos o acesso a um conhecimento da Trindade que se revela com traços familiares. [...] Na família humana, reunida em Cristo, é restituída a ‘imagem e semelhança’ da Santíssima Trindade (cf. Gn 1,26), mistério do qual brota todo amor verdadeiro.
Pode-se dizer que essa linguagem de caracterizar o matrimônio como imagem e semelhança da Trindade Santa “significa inaugurar um novo tom de discurso magisterial sobre o matrimônio”. No número 72 a Exortação apresenta o matrimônio como vocação, o que significa ressaltar o aspecto do dom e da iniciativa divina. Os esposos são chamados por Deus ao matrimônio, e na vida conjugal respondem a uma iniciativa do próprio Deus.
A concepção de vocação de Francisco soa ‘leve’ e está baseada no encontro pessoal e alegre com o Evangelho e com a pessoa de Jesus Cristo”. Para Francisco, o matrimônio não é mais visto como simples contrato exterior, mas como um chamado divino: “O matrimônio sacramental é, ao contrário, a resposta a um chamado, [...] uma resposta à chamada específica para viver o amor conjugal como sinal imperfeito do amor entre Cristo e a Igreja” (AL 72).
Assim, em Amoris Laetitia é assumida uma perspectiva mais bíblica e existencial. Diante disso, a Igreja deve ajudar os noivos a não se perderem pelas convenções sociais que estão em torno do casamento, como também a descobrir e discernir sua vocação, “a decisão de se casar e formar uma família deve ser fruto de um discernimento vocacional” (AL 72). A ênfase agora está na livre resposta do ser humano ao chamado divino.
A perspectiva da aliança para compreensão do matrimônio também se torna evidente na Exortação. Ao falar da indissolubilidade, Francisco não a nega como propriedade fundamental do matrimônio, mas deixa de falar com uma linguagem jurídica e canônica para falar em uma aliança de vida, que exige dos esposos um compromisso ético. “Nesse sentido, o sacramento do matrimônio é ‘baixado’ ao nível de uma grandeza histórica”, e é compreendido como realidade histórica, que caminha entre os perigos da vida real, e vai se construindo de maneira gradual e processual.
Reflexão em grupo
- Ler o parágrafo 72 da Amoris Laetitia e conversar sobre ele.
- Em que consiste, na vida prática, a aliança de vida?
Oração à Sagrada Família
Jesus, Maria e José,
em Vós contemplamos o esplendor do verdadeiro amor,
confiantes, a Vós nos consagramos.
Sagrada Família de Nazaré,
tornai também as nossas famílias lugares de comunhão
e cenáculos de oração,
autênticas escolas do Evangelho
e pequenas igrejas domésticas.
Sagrada Família de Nazaré,
que nunca mais haja nas famílias episódios de violência,
de fechamento e divisão;
e quem tiver sido ferido ou escandalizado
seja rapidamente consolado e curado.
Sagrada Família de Nazaré,
fazei que todos nos tornemos conscientes
do carácter sagrado e inviolável da família,
da sua beleza no projeto de Deus.
Jesus, Maria e José,
ouvi-nos e acolhei a nossa súplica. Amém.
