Família Cristã

Série Amoris Laetitia: o mundo das emoções e dos afetos

O amor: afetividade e sexualidade na vida conjugal na Amoris Laetitia

Foto: Pexels

Sem dúvida nenhuma, é a grande novidade da Exortação Amoris Laetitia quando abrange no capítulo quarto as dimensões essenciais da vida conjugal; a saber, afetividade e sexualidade.

A exortação lembra aquilo que o Concílio Vaticano II já teria proclamado na Constituição Gaudium et Spes:

“O Concílio Vaticano II ensinou que este amor conjugal "compreende o bem de toda a pessoa e, por conseguinte, pode conferir especial dignidade às manifestações do corpo e do espírito, enobrecendo-as como elementos e sinais peculiares do amor conjugal". Deve haver qualquer motivo para um amor sem prazer nem paixão se revelar insuficiente a simbolizar a união do coração humano com Deus: "Todos os místicos afirmaram que o amor sobrenatural e o amor celeste encontram os símbolos que procuram mais no amor matrimonial do que na amizade, no sentimento filial ou na dedicação a uma causa. E o motivo encontra-se precisamente na sua totalidade». Sendo assim, por que não nos determos a falar dos sentimentos e da sexualidade no matrimônio?” (AL 142).

Amor na vida conjugal

A vida conjugal é sustentada pelo amor mútuo; um amor que vive a realidade da entrega, do sensível e do que o casal decide viver como uma só carne. A vida emotiva é um bem ordenado para todas as famílias ao ponto de permitir que pais e filhos alcancem uma maturidade dentro da qual cada emoção seja um motivo de crescimento e responsabilidade.

O casal vive no seio da sua família esta possibilidade de manifestar o seu amor por meio de gestos e atitudes. Percebemos que num mundo hedonista como o nosso, as emoções foram substituídas pelos desejos; estes talvez dominam a razão de ser de muitos casais. Um desejo pode parecer uma conquista quando na verdade não passa de ser uma mera imagem de algo que não se manifesta como real.

As paixões sabemos que não são nem boas nem más; mas uma paixão desordenada pode levar um casal a perder a sua originária e suficiente capacidade de amor e dignidade.

Na medida em que o casal, pelas núpcias, amadurece, percebe quão importante é para ele ordenar suas emoções e não se render aos desejos que os pode tornar egoístas e fomentar o triste narcisismo.

Educação da emotividade

A educação pedagógica e da emoção e do instinto resulta numa experiência alegre e consciente do que a pessoa precisa para alcançar uma realização dentro da sua própria família. Assim o reforçou o Papa Francisco quando afirmou na exortação:

“É necessária a educação da emotividade e do instinto e, para isso, às vezes torna-se indispensável impormo-nos algum limite. O excesso, o descontrole, a obsessão por um único tipo de prazeres acabam por debilitar e combalir o próprio prazer, e prejudicam a vida da família. Na verdade, pode-se fazer um belo caminho com as paixões, o que significa orientá-las cada vez mais num projeto de autodoação e plena realização própria que enriquece as relações interpessoais no seio da família. Isto não implica renunciar a momentos de intenso prazer, mas assumi-los de certo modo entrelaçados com outros momentos de dedicação generosa, espera paciente, inevitável fadiga, esforço por um ideal. A vida em família é tudo isto e merece ser vivida inteiramente”. (AL 148).

Diante desta proposta, a Pastoral Familiar pode oferecer momentos de formação familiar sobre o tema das paixões, da sexualidade e do mundo das emoções. Esta formação nunca acaba nas nossas vidas; muito pelo contrário, sempre precisamos abordar o caminho dos nossos afetos.

Não adianta que demos por pressuposto o fato de que todos estamos suficientemente formados na nossa vida afetiva e sexual quando sabemos que a sexualidade faz parte da nossa existência plena e integral.

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Dimensão erótica do amor conjugal

Um último ponto que podemos lembrar é a dimensão erótica do amor conjugal e a sua transcendência quando este se abre para a vida. Entender o EROS como algo errado leva a muitas famílias a sucumbir no caminho da esperança de uma formação cada vez mais humana e sensível. Na medida em que o casal supera o nível instintivo do desejo, maior força nasce no caminho rumo à santidade conjugal. Bela expressão põe de manifesto a exortação quando diz: “Assim, não podemos, de maneira alguma, entender a dimensão erótica do amor como um mal permitido ou como um peso tolerável para o bem da família, mas como dom de Deus que embeleza o encontro dos esposos”. (AL 152).

Vamos dar estes passos transcendentais na nossa vida familiar e assim juntos poderemos proclamar o Evangelho da vida na sua grandeza afetiva e humana.

 

 

 

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