No capítulo terceiro da Amoris Laetitia, a Bíblia volta a ser citada amplamente, colocando o leitor com o olhar fixo em Jesus, e a partir dele, na vocação da família.
Francisco aponta o matrimônio como realidade positiva, contra, por exemplo, os maniqueus, que proibiam o casamento, citando 1Tm 4,4 e Hb 13,4. Também afirma a indissolubilidade do matrimônio em Mt 19,6, entendida como um dom e não um jugo.O Papa recorda que Jesus iniciou sua vida pública com o seu primeiro sinal em uma festa de núpcias, conforme o Evangelho de João em Jo 2,1-11.

Foto: Pexels
Compartilhou momentos de amizade e de luto com a família de Lázaro (Jo 11,5) e de Pedro (Mt 8,14). “A encarnação do Verbo em uma família humana, em Nazaré, [...] comove, com sua novidade, a história do mundo” (AL 65), e nesse mistério as famílias cristãs podem renovar sua esperança e alegria. E recordando a carta aos Colossenses 1,16, afirma-se que tudo foi criado por e para Cristo; assim, o matrimônio natural só se compreende à luz do seu cumprimento sacramental, e o olhar compassivo de Cristo deve inspirar o cuidado pastoral da Igreja.
No capítulo quarto, sobre o amor no matrimônio, Francisco propõe características do amor verdadeiro, “destacando-as do conhecido hino à caridade escrito por São Paulo, na Primeira Carta aos Coríntios, versículos 4 a 7 do capítulo 13. O que chama a atenção é a explicação exegética dos termos paulinos, a partir do texto grego original”. 1

Foto: Pexels
As qualidades citadas são: paciência (makrothymein), atitude de serviço (chrêstéuomai), não invejar (zêlóo), humildade (peuperéuomai), delicadeza (aschêmonein), desprendimento e autocontrole (paroksýnomai) e alegria (cháirei). “É uma contribuição extremamente rica e preciosa para a vida cristã dos esposos. É um tratado sobre a beleza da vida cotidiana do amor, inimiga do realismo. É muito necessário ler esse capítulo para entender melhor o conteúdo da Exortação”. 2
O último capítulo da Exortação também é rico em referências bíblicas ao abordar indicações para uma espiritualidade conjugal e familiar.
De forma muito feliz, o Capítulo IX, intitulado “Espiritualidade conjugal e familiar”, faz moldura com o Capítulo I sobre o matrimônio e a família, “À luz da Palavra de Deus”. [...] O ser humano que se descobre vocacionado para a vida matrimonial entra numa dinâmica particular do amor trinitário de seu Deus”. 3
Reflexão em grupo
- Ler 1Cor 13, 4 - 7 e comentar.
- Ler o capítulo IX da Amoris Laetitia, fazer uma síntese e dialogar sobre o conteúdo.
Oração à Sagrada Família
Jesus, Maria e José,
em Vós contemplamos o esplendor do verdadeiro amor,
confiantes, a Vós nos consagramos.
Sagrada Família de Nazaré,
tornai também as nossas famílias lugares de comunhão
e cenáculos de oração,
autênticas escolas do Evangelho
e pequenas igrejas domésticas.
Sagrada Família de Nazaré,
que nunca mais haja nas famílias episódios de violência,
de fechamento e divisão;
e quem tiver sido ferido ou escandalizado
seja rapidamente consolado e curado.
Sagrada Família de Nazaré,
fazei que todos nos tornemos conscientes
do caráter sagrado e inviolável da família,
da sua beleza no projeto de Deus.
Jesus, Maria e José,
ouvi-nos e acolhei a nossa súplica. Amém.
Padre Jonas Emerim Velho possui pós-doutorando em Teologia Sistemática pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS).
Referências bibliográficas:
1 PEREIRA, Ney B. A Amoris Laetitia e sua fundamentação bíblica, p. 19.
2SISTACH, Lluís M. Como aplicar a Amoris Laetitia, p. 27.
3FERNANDES, Leonardo A. O Salmo 128 e alegria do amor, p. 29.

