Artigos
Artigos

Série especial: “Dá murro em ponta de faca”

Confira se você é uma pessoa que “dá murro em ponta de faca”

Todos já ouvimos essa expressão, que se refere a um comportamento de teimosia, quando a pessoa insiste em fazer algo que não vai dar certo. Contudo, esse ditado popular também tem inspiração bíblica. Ele remete ao comportamento de Paulo que, ao perseguir os cristãos, acreditava estar fazendo a coisa certa.

Em Atos 26,14, lê-se: “Caímos todos por terra, e ouvi uma voz que me falava em língua hebraica: 'Saulo, Saulo, por que me persegues? É duro para ti recalcitrar contra o aguilhão'” (Bíblia de Jerusalém) e “Todos nós caímos no chão, e eu ouvi uma voz me dizer em hebraico: “Saulo, Saulo! Por que você me persegue? Não adianta você se revoltar contra mim” (nova tradução na linguagem de hoje).

Paulo perseguia os cristãos por considerá-los uma seita perniciosa que poderia trazer a ruína de Israel. Ele agia assim pensando estar cumprindo a lei de Deus. No entanto, ao ser alcançado pelo Ressuscitado (Atos 9,4-7), descobre que estava completamente equivocado e que suas ações eram contrárias à vontade divina.

Saulo consentiu na morte de Estêvão (Atos 8,1), perseguia a igreja (Atos 8,3) e foi autorizado pelo sumo sacerdote a perseguir os cristãos (Atos 9,1). Em suas cartas, ele admite o que fez (Gálatas 1,13; 1ª Coríntios 15,9; Filipenses 3,6; 1ª Timóteo 1,13). Dessa forma, quando foi convertido pela experiência com o Ressuscitado, os discípulos de Jesus ficaram atônitos (Atos 9,21).

A experiência paulina ilumina nossa vida. Todos já passamos por situações em que insistimos em algo que não iria dar certo. Essa insistência muitas vezes nos provoca constrangimento, dor e sofrimento. Talvez por estarmos imersos na situação, consideramos que persistir naquela opinião seja a ação correta, mas só depois percebemos nosso equívoco.

Assim também ocorreu com Paulo: ele perseguia os cristãos com a consciência tranquila de estar cumprindo a vontade de Deus, e o encontro com o Ressuscitado transformou sua perspectiva.

Ao insistirmos tanto numa situação que não progride, nos questionemos: será que não estou dando murro em ponta de faca? 


Frei Inácio José, OdeM é doutorando em Teologia Bíblica pela Faculdade Jesuíta de Filosofia e Teologia (FAJE), bolsista FAPEMIG.


 

Site Desenvolvido por
Agência UWEBS Criação de Sites