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Série Magnifica Humanitas | A trajetória da Doutrina Social 

Da Rerum Novarum aos dias atuais, entenda como a Igreja Católica atua no diálogo com a humanidade

Foto: Vatican Media

A Igreja, presente no mundo, reconhece os desafios e questões atuais, o lugar onde deve exercer sua vocação de escuta, diálogo e serviço.

O Papa Francisco recordou na Evangelii Gaudium, com veemência: "Ninguém pode exigir-nos que releguemos a religião para a intimidade das pessoas, sem qualquer influência na vida social e nacional, sem nos preocupar com a saúde das instituições da sociedade civil, sem nos pronunciar sobre os acontecimentos que interessam aos cidadãos" (EG, 183).

Na verdade, a Igreja não pretende assumir as funções do Estado. Mas não pode permanecer distante dos sofrimentos concretos das pessoas de seu tempo. Sua proximidade não é para substituir as instituições, mas nasce da caridade evangélica. Quando intervém, com discrição, o faz como o Bom Samaritano. Não substitui as responsabilidades institucionais.

Escuta das “várias linguagens”

Auscultar, discernir e interpretar, com o auxílio do Espírito Santo, as várias linguagens  do nosso tempo e julgá-las à luz da Palavra, para perceber os sinais da presença de Cristo, é a missão do Povo de Deus. Assim, a Igreja é orientada a buscas concretas de escolhas e caminhos de conversão, reformas a serviço da dignidade das pessoas e bem do povo.

Foto: Magnific

Companheiras da Igreja nestas buscas são a Palavra e as ciências humanas. A verdade do Evangelho não se impõe, nem teme a diversidade, mas, diz o Papa Leão, acolhe e, no entrelaçar-se concreto das vidas e culturas, expressa profundamente a catolicidade da Igreja.

Passos da Doutrina Social da Igreja

A expressão “Doutrina Social da Igreja” foi usada pela primeira vez em 1950, por Pio XII, na Exortação Apostólica Menti nostrae, em que propõe como princípio fundamental: adaptar-se aos tempos, e fala sobre o clero e a questão social. 

Foto: Magnific

- Em 1891, o Papa Leão XIII desenvolveu na Encíclica Rerum novarum – “coisas novas” questões como o conflito entre o capital e o trabalho, a questão operária, as transformações econômicas e sociais. Leão XIII assumiu estas questões como lugar da missão pastoral da Igreja. No centro desta missão está a dignidade do trabalhador, o direito a um salário justo, defende a propriedade privada, e valoriza a associação de trabalhadores.

- Em 1931, no 40º aniversário da Rerum novarum, Pio XI publica a encíclica Quadragesimo anno, no ápice da grande crise econômica mundial. Denuncia a concentração do poder econômico nas mãos de poucos, critica a concorrência sem limites, reitera o direito de associação dos trabalhadores, reafirma a exigência de um salário não só proporcional ao desempenho, mas às necessidades do trabalhador e da sua família.

- Entre 1939 e 1958, no contexto da Segunda Guerra Mundial e do pós-guerra, nas Radiomensagens de Natal, Papa Pio XII fez pronunciamentos históricos transmitidos pela Rádio Vaticano. Elas marcaram a Doutrina Social da Igreja, abordando a paz mundial, os direitos humanos, a dignidade da pessoa e a condenação aos totalitarismos. 

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Principais temas e anos

  • 1939 (Início da Guerra): Apresentou os "cinco pontos" fundamentais para uma ordem justa e pacífica entre as nações.
  • 1941 (Ordem Nova): Refletiu sobre as bases morais para a reconstrução da sociedade e a liberdade dos povos.
  • 1942 (Apelo Humanitário): Ficou marcado pela denúncia implícita e veemente contra o extermínio de inocentes por motivos de raça ou nacionalidade.
  • 1944 (Sobre a Democracia): Definiu as regras de uma democracia sã e o papel ativo dos cidadãos na vida pública europeia e mundial.

 

Foto: Magnific

Em 1961, na carta encíclica Mater et Magistra, o Papa João XXIII trata "da questão social à luz da Doutrina Cristã", no septuagésimo aniversário da encíclica Rerum novarum.

Em 1965, o Papa Paulo VI, no Concílio Vaticano II, promulgou a Constituição Pastoral sobre a Igreja, Gaudium et Spes, em que aborda grandes questões sociais como o matrimônio, a família, a vida econômica, a política, a guerra e a paz.

Em 1967, na Populorum progressio,  Paulo VI apresenta o progresso para todos os povos, sem exclusão. “O progresso é o novo nome da paz” porque visa eliminar as raízes da injustiça.

Em 1971, a carta apostólica Octogesima Adveniens, emitida pelo Papa Paulo VI, comemora os oitenta anos da encíclica Rerum novarum (de Leão XIII) e aborda os novos problemas sociais da época, como a urbanização acelerada, a marginalização e o papel político dos cristãos.

Em 1981, o Papa João Paulo II publica a encíclica Laborem exercens sobre o trabalho humano.

Em 1987, o Papa João Paulo II, na encíclica Sollicitudo rei socialis, no vigésimo aniversário da Populorum Progressio, volta a tratar da chaga do subdesenvolvimento.

Em  1991, a carta encíclica escrita pelo Papa João Paulo II, Centesimus Annus, celebra o centenário da Rerum novarum de Leão XIII, e analisa as transformações políticas e econômicas mundiais após a queda do socialismo real na Europa.

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Em 2020, a carta encíclica do Papa Francisco, Frattelli tutti, aborda a promoção da fraternidade e da amizade social, mas com grande referência aos direitos humanos, diante da desagregação social, da "guerra mundial aos pedaços", da globalização individualista e das consequências da pandemia sobre os laços comunitários. Propõe a cultura do encontro, um mundo que garanta "terra, teto e trabalho para todos".

Em 2024, com a Dilexit nos, Francisco recorda que a resposta mais verdadeira ao amor de Jesus é o amor concreto aos irmãos.

 

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