Família Cristã

Série Vaticano II e Pastoral Familiar - Família como sujeito eclesial

À luz da Apostolicam Actuositatem e de Gaudium et Spes

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A Pastoral Familiar não é mero “setor” funcional, mas expressão da eclesiologia de comunhão: a família é parte constitutiva do Povo de Deus, “igreja em miniatura”, chamada à santidade e à missão (CONCÍLIO VATICANO II, Const. dogm. Lumen gentium (LG), nn. 9–12.31; JOÃO PAULO II, Exort. ap. Familiaris consortio (FC), n. 21.)

Isso implica superar modelos puramente assistenciais ou disciplinadores e promover um caminho no qual os casais e famílias sejam protagonistas da vida e da missão eclesial. 

Fundamento antropológico: dignidade da pessoa e dom de si

A antropologia de Gaudium et Spes oferece um fundamento (CONCÍLIO VATICANO II, Const. past.Gaudium et Spes (GS), nn. 24; 47–52.) sólido para a Pastoral Familiar: o matrimônio é vocação ao dom de si, à comunhão de pessoas  (FC 11-18), à corresponsabilidade na transmissão e educação da vida. Qualquer pastoral que ignore essa visão corre o risco de reduzir o matrimônio a mera regulamentação sexual ou a convenção sociocultural. 

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Dimensão missionária e social 

À luz de Apostolicam Actuositatem (CONCÍLIO VATICANO II, Decr. Apostolicam actuositatem (AA), nn. 7.11) e de Gaudium et Spes17, a Pastoral Familiar não pode restringir-se ao âmbito intraeclesial: ela é chamada a articular família e sociedade, fé e compromisso social.

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Isso inclui a defesa da dignidade da família, a promoção de políticas públicas em favor das famílias, o cuidado com as famílias feridas, a atenção às condições de moradia, trabalho, saúde e educação.

Formação integral e processo catecumenal

Os documentos conciliares apontam para uma formação que seja integral (GE) e progressiva, mais próxima de um itinerário catecumenal (CONCÍLIO VATICANO II, Decl. Gravissimum educationis (GE), nn. 1–3; Const. Sacrosanctum concilium (SC), n. 64; Decr. Ad gentes (AG), nn. 13–14; JOÃO PAULO II, Exort. ap. Familiaris consortio (FC), n. 66; PONTIFÍCIO CONSELHO PARA A FAMÍLIA, Preparação para o Sacramento do Matrimônio, n. 2, 1996; Dicastério para os Leigos, Família e Vida, n. 68, Itinerários catecumenais para a vida matrimonial), do que de uma preparação pontual e rápida. Isso vale de modo especial para a preparação ao matrimônio, que o magistério posterior desenvolverá como verdadeira “iniciação” à vida conjugal e familiar, mas cujas raízes podem ser encontradas no Vaticano II. 

Centralidade da Palavra e da liturgia na vida da família 

A Pastoral Familiar inspirada em Dei Verbum e Sacrosanctum Concilium promoverá práticas concretas de leitura orante em família, participação litúrgica, espiritualidade do cotidiano, de modo que o lar se torne lugar de oração, de escuta da Escritura e de vida sacramental. 

 

Pe. Rodolfo Chagas Pinho, Presbítero da Diocese de Jacarezinho (PR), mestrando em Teologia Sistemática pela PUCRio, especialista em Pastoral pela FAJE, especialista em Trabalho com Família e Sociabilidade pela Uninter, bacharel em Comunicação pela FANORPI, graduado em Filosofia e Teologia pelo Seminário Maior de Jacarezinho (PR). Atualmente é assessor da Comissão Episcopal Vida e Família da CNBB e Secretário-Executivo Nacional da Pastoral Familiar. 

 

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