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A Constituição dogmática Lumen Gentium (CONCÍLIO VATICANO II, Constituição dogmática Lumen Gentium (LG), sobre a Igreja, 21 nov. 1964, n. 9–13; 31; 39–42) oferece o quadro eclesiológico de base para toda reflexão sobre a família.
No capítulo II, o Concílio descreve a Igreja como Povo de Deus, reunido na unidade do Pai, do Filho e do Espírito Santo (LG 4.9). Nessa perspectiva, todos os batizados participam da tríplice função de Cristo (sacerdotal, profética e régia) e são chamados à santidade (LG 10–12; 39-42). Tal visão tem consequências diretas para a Pastoral Familiar.
A família cristã não é apenas destinatária passiva da ação pastoral, mas célula viva do Povo de Deus, participante da mesma vocação à santidade e à missão. Ainda que o termo “Igreja doméstica” não seja amplamente desenvolvido em Lumen Gentium, o Concílio afirma que é sobretudo na família que os fiéis “aprendem a amar a Deus e ao próximo” e experimentam a primeira iniciação à vida eclesial (LG 11).
Essa afirmação é o ponto de partida para a posterior elaboração magisterial que reconhecerá explicitamente a família como “ecclesia domestica”.
No plano de Deus Criador e Redentor, a família descobre a sua “identidade” e a sua “missão” (FC 17). A vocação universal à santidade, sublinhada no capítulo V de Lumen Gentium, vale para todos os estados de vida, incluindo os esposos e pais de família. Não há uma “segunda categoria” de cristãos na vida cotidiana: “Todos os fiéis de qualquer estado ou ordem são chamados à plenitude da vida cristã e à perfeição da caridade” (LG 40).
A Pastoral Familiar, à luz dessa eclesiologia, é chamada a ajudar os casais a descobrir o matrimônio como caminho próprio de santidade e apostolado, e não apenas como estado de vida privado. E iluminar as famílias como comunidade sinodal na comunhão entre seus membros.
Padre Rodolfo Chagas Pinho, presbítero da Diocese de Jacarezinho (PR), mestrando em Teologia Sistemática pela PUCRio, especialista em Pastoral pela FAJE, especialista em Trabalho com Família e Sociabilidade pela Uninter, bacharel em Comunicação pela FANORPI, graduado em Filosofia e Teologia pelo Seminário Maior de Jacarezinho (PR). Atualmente, é assessor da Comissão Episcopal Vida e Família da CNBB e Secretário-Executivo Nacional da Pastoral Familiar.
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