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A Constituição dogmática Dei Verbum (CONCÍLIO VATICANO II, Constituição dogmática Dei Verbum (DV) 18 nov. 1965, n. 1–2; 21–25), sobre a revelação divina, confere um eixo espiritual fundamental à Pastoral Familiar: a centralidade da Palavra de Deus. Deus fala e se autocomunica em Cristo, e essa Palavra é confiada à Igreja para ser acolhida, meditada e vivida (DV 1-2).
Quando Dei Verbum afirma que “na Sagrada Escritura o Pai que está nos céus vem amorosamente ao encontro dos seus filhos e com eles conversa” (DV 21), abre-se um espaço privilegiado para pensar a família como lugar primário de escuta da Palavra. A leitura orante em família, a partilha do Evangelho no cotidiano, a integração entre Escritura e vida tornam-se elementos estruturantes da espiritualidade familiar. Uma Pastoral Familiar inspirada pelo Concílio não pode ser apenas socioafetiva: ela é necessariamente bíblica, enraizada na revelação.

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A Constituição Sacrosanctum Concilium sobre a liturgia também é fundamental. Ao afirmar que a liturgia é “fonte e ápice” da vida da Igreja (SC 10), recorda-se que a Eucaristia dominical, os sacramentos e o ano litúrgico são o coração da vida cristã – e, portanto, da vida familiar.
O matrimônio é um sacramento inserido na dinâmica pascal e eucarística: celebra-se na Igreja e a partir da Igreja, para que a graça de Cristo fecunde a vida familiar.
A Pastoral Familiar, à luz de Sacrosanctum Concilium, é chamada a: educar para a participação plena, consciente e ativa da família na liturgia; valorizar os ritos próprios (celebração do matrimônio, bênção das famílias, bênção da casa etc.); articular liturgia e vida, ajudando os casais a compreenderem que a celebração sacramental é princípio de uma existência vivida como “culto espiritual” (Rm 12,1).
Pe. Rodolfo Chagas Pinho, Presbítero da Diocese de Jacarezinho (P), mestrando em Teologia Sistemática pela PUCRio, especialista em Pastoral pela FAJE, especialista em Trabalho com Família e Sociabilidade pela Uninter, bacharel em Comunicação pela FANORPI, graduado em Filosofia e Teologia pelo Seminário Maior de Jacarezinho (PR). Atualmente é assessor da Comissão Episcopal Vida e Família da CNBB e Secretário-Executivo Nacional da Pastoral Familiar.
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