
O risco de termos novas enchentes catastróficas no Rio Grande do Sul é muito grande. Prefeitos e o governo do Estado estão sendo alertados para o risco. Imagem: SECOM-RS (Fotos públicas)
Você sabia que o nome El Niño tem origem religiosa? O fenômeno climático ganhou esse nome porque seus efeitos mais intensos costumam aparecer no fim do ano, próximo ao Natal. Pescadores peruanos, ao notarem o aquecimento anormal das águas do Pacífico nessa época, batizaram o fenômeno de El Niño, em homenagem ao Menino Jesus.
Entre 2026 e 2027, porém, não estamos falando de um El Niño qualquer. Segundo o "Painel El Niño 2026-2027" do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), o fenômeno que se forma no Oceano Pacífico pode atingir a categoria de "Super El Niño", com potencial para provocar catástrofes ambientais em diversas regiões do Brasil.
O que diz a ciência
O boletim, resultado da ação conjunta entre INMET, INPE, ANA, Cemaden, SGB, SEDEC e CENSIPAM, confirma que a configuração do El Niño foi estabelecida em junho de 2026. Os modelos indicam 100% de probabilidade de permanência do fenômeno até pelo menos o início de 2027, com alta probabilidade de que as anomalias de temperatura da superfície do mar no Pacífico Equatorial ultrapassem 2,0°C entre a primavera e o verão de 2026.
Os impactos previstos para o Brasil
De acordo com os meteorologistas do Cemaden, o fenômeno climático atingirá o Brasil de formas diferentes nas regiões do país. No Sul e Sudeste, aumento no risco de enchentes (inclusive de eventos similares aos que já atingiram o Rio Grande do Sul).
No Nordeste, Norte e Centro-Oeste, justamente o contrário. A diminuição do ciclo de chuvas e aumento nas temperaturas pode aumentar o risco de queimadas. Confira a previsão para as regiões:
Região Sul: chuvas acima da média, com risco elevado de alagamentos, enchentes, deslizamentos e cheias de rios. O Rio Grande do Sul, que ainda carrega as consequências da grande enchente de 2024, está entre as áreas mais sensíveis .
Norte e Nordeste: cenário oposto. A previsão é de redução significativa das chuvas, secas históricas, queda na vazão dos rios e aumento do risco de incêndios florestais. Na Amazônia, a combinação de pouca chuva e temperaturas elevadas ameaça o transporte fluvial, o abastecimento e a agricultura .
Centro-Oeste e Sudeste: temperaturas acima da média, com possibilidade de ondas de calor intensas e duradouras. O aumento do risco de incêndios é uma preocupação constante .

A mancha vermelha na área central do planeta representa o aquecimento das águas do Oceano Pacífico, consequência do fenômeno El Niño. Imagem: NASA
Ondas de calor em todo o país
O Painel El Niño também alerta para alta probabilidade de temperaturas acima da média em praticamente todo o território brasileiro durante o segundo semestre de 2026, o que pode aumentar a ocorrência de ondas de calor. Esses episódios representam uma ameaça silenciosa, especialmente para populações vulneráveis como idosos, doentes e moradores de áreas com condições precárias de habitação.
Preparação e monitoramento
Diante desse cenário, as instituições participantes do Painel El Niño 2026-2027 reforçam a necessidade do acompanhamento contínuo das condições meteorológicas, hidrológicas e geológicas. À população, recomenda-se manter cadastro atualizado para recebimento dos alertas da Defesa Civil, conhecer as áreas de risco e adotar medidas de autoproteção sempre que houver previsão ou ocorrência de eventos adversos.
Segundo o Inmet – Instituto Nacional de Meteorologia –, serão divulgadas atualizações dos painéis para haver uma dimensão das consequências do fenômeno El Niño no Brasil. Resta às autoridades dos locais afetados a mitigação das consequências do fenômeno no dia a dia da população.
Fontes
Instituto Nacional de Meteorologia (INMET)
Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE)
Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA)
Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden)
Serviço Geológico do Brasil (SGB)
Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil (SEDEC)
Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (CENSIPAM)
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