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Outubro chega com a variedade de cores da primavera, que floresce nos cenários mais variados de nosso Brasil e desperta também a consciência de que a fé não pode permanecer fechada em si mesma: ela é, por natureza, missionária. É um mês que pulsa no coração da Igreja como um convite à saída, ao encontro e ao anúncio.

Cartaz da Campanha Missionária 2026. Imagem: Divulgação
O Mês Missionário de 2026, que marca o centenário desta celebração, tem como lema: “um em Cristo, unidos na missão”, inspirado em Jo 17, que em sua oração Jesus nos ensina a compreender que essa comunhão nasce da Trindade e que vive da e na Trindade, ao serviço da irmandade entre todos os seres humanos e da harmonia com todas as criaturas.

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Na mensagem do Dia Mundial das Missões, o Papa Leão exorta “toda a Igreja, após o ano jubilar, a prosseguir o caminho missionário com alegria e zelo no Espírito Santo, o que requer corações unificados em Cristo, comunidades reconciliadas e, em todos, disponibilidade para colaborar com generosidade e confiança”.
Por isso, todas as pessoas batizadas são chamadas a participar da missão, cada uma segundo sua vocação, em espírito de colaboração, superando divisões e valorizando a diversidade como riqueza.
A missão tem sua origem e seu centro no amor de Deus revelado em Cristo. Evangelizar é anunciar, viver e partilhar esse amor, que impulsionou os apóstolos e continua a sustentar tantos missionários e missionárias ao longo da história.
Assim, a Igreja é convidada a caminhar unida, com coragem e generosidade, renovando o ardor missionário, para que o mundo creia e reconheça em Cristo a luz e a salvação.

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Portanto, sua primeira responsabilidade missionária é renovar e manter viva a unidade espiritual e fraterna entre os seus membros, evitando conflitos, incompreensões, desconfiança mútua.
Para isso acontecer, são necessários corações reconciliados e desejosos de comunhão. É no testemunho de uma comunidade reconciliada, fraterna e solidária que o anúncio do Evangelho encontra toda a sua força comunicativa. Nesse sentido, a segunda responsabilidade é assumir com empenho a missão, cada um segundo sua vocação e condição de vida.
Se a unidade é a condição da missão, o amor é sua essência. A Boa Nova que somos enviados a anunciar ao mundo não é um ideal abstrato: é o Evangelho do amor fiel de Deus, encarnado no rosto e na vida de Jesus Cristo.
Com essas motivações, refletiremos o texto de Dn 2,37-49, que anuncia o fim da opressão dos impérios e o anúncio da soberania de Deus e de seu reino. Fazemos isso tendo presente nossa responsabilidade nas eleições gerais, nas quais escolheremos o presidente da República, governadores, senadores e deputados federais e estaduais.
Deus conduz a história
O texto de Daniel 2,37-49 apresenta a interpretação do sonho do rei Nabucodonosor, destacando que somente Deus é capaz de revelar os mistérios da história. Diante da incapacidade dos sábios da Babilônia, Daniel, após rezar com seus companheiros, recebe de Deus a revelação, mostrando que não é a sabedoria humana, mas a ação divina que conduz os acontecimentos.
O sonho da estátua, formada por diferentes metais (ouro, prata, bronze, ferro e argila), simboliza a fragilidade e a sucessão dos poderes humanos. Pode representar tanto impérios históricos (babilônico, dos medos, persa, grego) quanto a totalidade dos sistemas opressores.
Em contraste, a pedra que destrói a estátua indica o Reino de Deus, que é definitivo, universal e não depende da força humana. Assim, o texto afirma que Deus é o Senhor da história, intervém nos acontecimentos e conduz tudo ao seu fim: a superação da opressão e a instauração de seu Reino eterno.
Estamos diante de um cruzamento significativo entre fé e realidade: o Mês Missionário – iluminado pelo lema “um em Cristo, unidos na missão” –, as eleições gerais no Brasil e a Palavra de Deus em Dn 2,37-49. São três dimensões que se entrelaçam e nos provocam a uma vivência consciente, madura e comprometida de nossa fé.
A mensagem do Dia Mundial das Missões recorda que a unidade em Cristo é a fonte da missão. Somos chamados a superar divisões, polarizações e conflitos, para testemunhar, com a vida, o amor de Deus.

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Essa convocação à comunhão não é apenas espiritual, mas concreta: toca nossas relações, nossas escolhas e também nossa responsabilidade social e política. Nesse sentido, o contexto das eleições amplia essa reflexão.
Escolher nossos líderes políticos é um ato que exige discernimento, consciência e compromisso com o bem comum. À luz da fé missionária, o cristão não pode se omitir nem agir movido por interesses egoístas ou divisões que ferem a comunhão.
Ao contrário, é chamado a colaborar para a construção de uma sociedade mais justa, fraterna e solidária, sendo sinal do Evangelho também no espaço público. É aqui que o texto de Dn 2,37-49 oferece uma luz decisiva. Ao revelar o sonho de Nabucodonosor, Daniel afirma que os grandes impérios são frágeis e passageiros.
O poder humano, por mais grandioso que pareça, não é absoluto. Quem conduz a história é Deus e seu Reino é marcado pela justiça, pela verdade e fidelidade. Deste modo, nenhum projeto político é definitivo ou absoluto. Todos são relativos diante do Reino de Deus. Isso não diminui a importância da política, mas a coloca em seu devido lugar: como serviço em favor da vida e da dignidade das pessoas.
Foto: Arquivo Paulinas
Assim, o Mês Missionário nos convida a viver unidos em Cristo, para não cairmos em divisões, que enfraquecem o testemunho. Chama-nos a ser comprometidos com a missão, anunciando o amor de Deus também nas escolhas concretas da vida social, evitando absolutizar lideranças ou sistemas. Desse modo, votar torna-se um ato missionário: uma expressão de fé que busca promover a vida, a dignidade humana e a justiça.
E, iluminados por Dn, somos chamados (as) a lembrar que Deus é o Senhor da história, mas essa certeza não isenta nossa responsabilidade. Oxalá possamos votar de forma consciente, não somente preocupados e preocupadas com as pessoas que ocuparão a presidência ou os governos estaduais, mas de forma especial os(as) senadores e deputados(as) estaduais e federais, pois esses ou essas serão nossos representantes, lutando por nossas causas e não por seus interesses mesquinhos.
Pausa para reflexão
1. Dos três pontos indicados pelo Papa para o Dia Mundial das Missões, quais me chamam a atenção e por quê?
2. À luz do lema do Dia Mundial das Missões, como podemos, concretamente, superar divisões e viver a unidade em nossas comunidades e nas escolhas sociais e políticas?
3. Ao considerar Dn 2,37-49, que revela a fragilidade dos poderes humanos diante do Reino de Deus, de que maneira essa visão pode iluminar nosso discernimento e responsabilidade no contexto das eleições?
Para ler na íntegra a mensagem para o Dia Mundial das Missões, acesse aqui.
