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Um grito que sai da boca dos empobrecidos

É possível celebrar o Dia Internacional para a Erradicação da Pobreza?

Foto: Pexels

São quase 700 milhões de pessoas que mal conseguem sobreviver com menos de R$ 2,15 por dia.

Mais de um bilhão de pessoas são privadas de necessidades básicas como alimentação, água, assistência médica e educação. São bilhões que não têm saneamento básico e acesso à energia, emprego, moradia e redes de proteção social. São muitos os conflitos, a crise climática, a discriminação e a exclusão, especialmente de mulheres.

Um sistema financeiro global desatualizado, disfuncional e injusto impede que os países em desenvolvimento invistam no alívio da pobreza e na realização de Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS). 

Previsões mostram que quase 500 milhões de pessoas ainda estarão vivendo em extrema pobreza em 2030. Este quadro assustador preocupa a Igreja. E ela fala sobre isto.
 
Dilexit te - “Amei-te”

“Estou convencido de que a opção preferencial pelos pobres gera uma renovação extraordinária tanto na Igreja como na sociedade, quando somos capazes de nos libertar da autorreferencialidade e conseguimos ouvir o seu clamor”, disse Leão XIV, ao unir, na exortação Dilexi te, a sua voz à do Papa Francisco.

Em 4 de outubro de 2025, Festa de São Francisco de Assis, Leão XIV assinou o seu primeiro documento Dilexi te, onde fala de um grito que sai da boca de multidões de empobrecidos, sem que muitos, mesmo na Igreja, consigam escutá-lo.

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São “múltiplas formas de empobrecimento econômico e social” no mundo de hoje: “mulheres que padecem situações de exclusão, maus-tratos e violência”, milhares de pessoas que “morrem por causas relacionadas com a desnutrição”. Trata-se da cultura do descarte que sequer se apercebe que milhões de pessoas morrem de fome ou sobrevivem em “condições indignas do ser humano”. 

Preconceitos

Muitos cristãos, às vezes, se deixam contagiar por ideologias que levam a injustas generalizações. E têm “preconceitos” em relação aos pobres, sentindo-se “mais à vontade” sem eles. Escreve o Papa Leão: “Observar que o exercício da caridade é desprezado ou ridicularizado, como se fosse uma fixação somente de alguns e não o núcleo incandescente da missão eclesial, faz-me pensar que é preciso ler novamente o Evangelho, para não se correr o risco de o substituir pela mentalidade mundana. Se não quisermos sair da corrente viva da Igreja que brota do Evangelho e fecunda cada momento histórico, não podemos esquecer os pobres” (Dilexi te, 15).

As Escrituras e a tradição 

O Antigo e o Novo Testamento demonstram que “Deus escolhe os pobres” e “Ele mesmo se fez pobre, nasceu segundo a carne como nós e reconhecemo-lo na pequenez de uma criança recostada numa manjedoura e na extrema humilhação da cruz, onde partilhou a nossa radical pobreza, que é a morte”.

Foto: Freepik

Ao abrir os olhos aos cegos, curar os leprosos, anunciar-lhes a “boa nova”, dizer-lhes “Felizes vós, os pobres, porque vosso é o Reino de Deus” (Cf. Lc 6, 20), Cristo “mostra predileção” por eles. “E a Igreja, se deseja ser de Cristo, deve ser Igreja das bem-aventuranças, Igreja que dá vez aos pequeninos e caminha pobre com os pobres, lugar onde os pobres têm um espaço privilegiado”, “quando há tanta clareza nas Sagradas Escrituras a respeito dos pobres, por que razão muitos continuam a pensar que podem deixar de prestar atenção aos pobres”?


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