
Foto: Unsplash
A unção dos enfermos, conhecida também como extrema-unção, é um dos sete sacramentos da Igreja Católica, destinado a oferecer graça, cura física e espiritual, perdão de pecados e consolação aos doentes.
Fundamentos bíblicos deste sacramento
A pessoa humana do Antigo Testamento também faz a experiência da dor, do sofrimento, da doença. E faz a Deus sua queixa sobre a enfermidade. Implorando a cura. Assim, a doença se torna caminho de conversão e perdão de Deus, início da cura. "Porque eu sou o Senhor, aquele que cura você" (cf. Ex 15,26). O profeta entende que o sofrimento também pode ter um sentido redentor. Finalmente, Isaías anuncia que Deus fará chegar um tempo em que toda falta será perdoada e toda doença será curada. (Cf Is 33,24).
Em Jesus Cristo
Cristo se compadece dos doentes e suas numerosas curas de todo tipo são um sinal evidente de sua compaixão para com todos aqueles que sofrem. Ele até se identifica com eles: "Estive doente e me visitastes" (Mt 25,36). Jesus pede aos enfermos que creiam. E serve-se de sinais para curar: saliva e imposição das mãos, lama, um toque. Os doentes procuravam tocá-lo, "porque dele saía uma força que a todos curava" (Lc 6,19).
Por meio dos sacramentos, Cristo continua a nos "tocar" para nos curar.
Ele não apenas se deixa tocar pelos doentes, mas assume suas misérias: "Ele levou nossas enfermidades e carregou nossas doenças".
Um rito sobre os enfermos
"Curai os enfermos!" (Mt 10,8). A Igreja recebeu esta missão do Senhor e esforça-se por cumpri-la cuidando dos doentes e fazendo a oração de intercessão. Ela crê na presença vivificante de Cristo, médico da alma e do corpo.
Há um rito próprio na Carta de São Tiago: "Algum de vós está doente? Chame os presbíteros da Igreja, e que estes orem sobre ele, ungindo-o com óleo em nome do Senhor. A oração da fé salvará o doente e o Senhor o reerguerá; e, se tiver cometido pecados, ser-lhes-ão perdoados" (Tg 5,14-15). A Tradição reconheceu neste rito um dos sete sacramentos da Igreja.
Quem recebe a Unção dos Enfermos
A constituição apostólica Sacram unctionem infirmorum, de 30 de novembro de 1972, seguindo o Concílio Vaticano II, estabeleceu o seguinte:
O sacramento da unção dos enfermos é conferido pelos sacerdotes às pessoas acometidas de doenças perigosas, ungindo-as na fronte e nas mãos com óleo devidamente consagrado — óleo de oliveira ou outro óleo extraído de plantas —, dizendo:
"Por esta santa unção e por sua puríssima misericórdia, o Senhor venha em teu auxílio com a graça do Espírito Santo, para que, liberto de teus pecados, Ele te salve e, em sua bondade, alivie teus sofrimentos."

Foto: Pixabay
Como todos os sacramentos, a Unção dos Enfermos é uma celebração litúrgica e comunitária, em família, no hospital ou na Igreja, para um só enfermo ou para um grupo de enfermos.
Se um enfermo que recebeu a unção dos enfermos recobrar a saúde e recair em doença grave, pode receber de novo o sacramento. No decorrer da mesma enfermidade, este sacramento pode ser reiterado se a doença se agravar.
A unção dos enfermos pode ser recebida antes de uma cirurgia de alto risco. O mesmo vale também para as pessoas de idade avançada, cuja fragilidade se acentua.
Efeitos da celebração
O principal dom deste sacramento é uma graça de conforto, de paz e de coragem para vencer as dificuldades próprias do estado de enfermidade grave ou da fragilidade da velhice. Além disso, "se ele cometeu pecados, eles lhe serão perdoados" (cf. Tg 5,15).
Aos que estão para deixar esta vida, a Igreja oferece, além da unção dos enfermos, a Eucaristia como viático, ou seja, alimento da caminhada e semente de vida eterna, segundo as palavras do Senhor: "Quem come a minha carne e bebe o meu sangue tem a vida eterna, e eu o ressuscitarei no último dia" (cf. Jo 6,54).
