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Vacinação também é coisa de gente grande

Manter o calendário em dia na vida adulta previne doenças graves e protege toda a comunidade

Foto: Pexels

A imunização não é assunto exclusivo da infância — e encarar as vacinas como um compromisso contínuo é fundamental para garantir saúde individual e coletiva ao longo da vida. A ideia de que “vacina é coisa de criança” persiste porque os primeiros calendários, lá nos anos 1970, eram destinados quase exclusivamente aos pequenos.

“Não se falava de vacinação para adolescentes, adultos ou idosos. Mas o tempo mostrou que os riscos de infecções graves, complicações e até mortes existem em todas as fases da vida”, afirma a pediatra e presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), Mônica Levi.

A presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), Mônica Levi. Foto: Silvia Oselka

O sistema imunológico também passa por transformações naturais. Com o avançar da idade, ele se torna mais frágil, reduzindo a capacidade de resposta a vírus e bactérias. “Chamamos esse processo de imunossenescência. Uma menor resposta imune significa maior risco de infecções graves, complicações e óbito”, explica Levi.

Proteção coletiva

Um adulto não vacinado está mais exposto e pode expor outras pessoas. “Ele tem risco de adoecer e também de transmitir, ainda que involuntariamente. Muitas vacinas protegem você e também reduzem a circulação de agentes infecciosos na comunidade”. A proteção coletiva ganha ainda mais importância quando se pensa em grupos vulneráveis, como idosos, crianças pequenas, gestantes e imunossuprimidos.

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O calendário vacinal do adulto varia conforme o histórico. Algumas vacinas feitas uma única vez — como hepatites A e B, varicela e o esquema completo da tríplice viral — não precisam ser repetidas, desde que aplicadas corretamente. Outras exigem manutenção: a dupla adulto (difteria e tétano) tem reforço a cada dez anos; a influenza é anual; e a COVID-19 segue esquemas atualizados. “Depois dos 50 anos, entram novas recomendações, como pneumococo e herpes zoster. A partir dos 70, temos a vacina para o vírus sincicial respiratório e entre os 50 e 69 anos em grupos de maior risco”, acrescenta.

Há ainda calendários diferenciados para viajantes, pessoas com comorbidades e pacientes que passarão por transplantes. “Esses grupos têm riscos ampliados e precisam de orientação individualizada”, aponta a médica.

Carteira em dia

A dúvida mais comum é: como saber se a carteira está em dia? Para muitos adultos, não há registro digital completo. “Desde 2022, todas as vacinas aplicadas entram na RNDS (Rede Nacional de Dados em Saúde), mas quem é adulto hoje provavelmente não tem esse histórico”, diz Levi. 

Foto: Pexels

A orientação é procurar uma Unidade Básica de Saúde ou o serviço privado onde já se vacinou. Em alguns municípios, é possível recuperar dados pelo CPF. “Se não houver registro, não há problema em tomar doses a mais. O problema é deixar de se vacinar achando que está protegido”.

O alerta final é direto: adultos e idosos seguem adoecendo — e por causas totalmente evitáveis. “Vacina não é coisa de criança. Há recomendações para todos os ciclos da vida. Não precisamos ter surtos, sequelas ou mortes por doenças preveníveis. Vacinar-se protege você e também o ambiente em que vive. É uma questão de responsabilidade social”, conclui Mônica Levi.

Serviço:

Confira os Calendários de Vacinação da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm). Eles informam quais vacinas estão disponíveis no SUS e quais estão apenas nos serviços privados de vacinação: clique aqui.
 

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