
Gracielle Reis. Foto: Humberto Magro
Você já parou para pensar que, antes mesmo de dizermos uma palavra, já estamos nos comunicando? Nosso corpo, olhar e como nos vestimos falam. E muito.
Segundo as pesquisas em Ciências Cognitivas e do Cérebro do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), nossa mente é capaz de interpretar imagens captadas pelos olhos em apenas 13 milissegundos. Ou seja: somos percebidos antes mesmo de sermos ouvidos. Isso mostra a força da comunicação não-verbal, da qual a imagem pessoal faz parte.
A dignidade do corpo humano e imagem pessoal
Cada peça que escolhemos usar, acessório, combinação de cores e texturas diz algo sobre quem somos, como nos sentimos e mensagem que desejamos repassar. E isso vale tanto para os ambientes profissionais e ainda para o entendimento quanto ao corpo humano.
Segundo a Teologia do Corpo de São João Paulo II, o corpo foi revestido de dignidade com a encarnação de Cristo e ele é capaz de transmitir as realidades divinas: “O corpo, e somente ele, é capaz de tornar visível aquilo que é invisível: o espiritual e divino. Ele foi criado para transferir para a realidade visível do mundo o mistério invisível escondido em Deus desde os tempos imemoráveis, e assim ser um sinal deste mistério”.
Assim escreveu o santo ao reforçar que Deus, ao criar o homem e a mulher à Sua imagem e semelhança, imprimiu neles o Seu mistério invisível. Com isso, ter atenção e estar adequado com o que se veste é mais do que lícito; é cuidar do templo do Espírito Santo que somos: seres inteiros, em seu corpo, alma e espírito.

Foto: Jana Doro - Pexels
Adequação e estilo próprio: palavras-chave
Há ocasiões que pedem mais formalidade, outras mais liberdade criativa. Quando participamos, por exemplo, de uma celebração religiosa, como a Santa Missa, é importante lembrar que o respeito e a reverência também devem ser levados no modo de como nos apresentamos.
Isso não significa abrir mão da personalidade ou estilo, mas buscar o equilíbrio entre a identidade pessoal e o contexto.
A comunicação não-verbal vai muito além da roupa: envolve postura, gestos, expressões faciais, tom de voz, ritmo da fala e até o silêncio. Mas é a imagem pessoal que costuma causar a primeira impressão e ela pode abrir ou fechar portas.
Na minha atuação como consultora, percebo que muitas mulheres e homens não têm clareza sobre o que estão comunicando com a própria imagem. E isso pode gerar ruídos, bloqueios ou falta de autoconfiança. Quando tomamos consciência da nossa linguagem visual, conseguimos alinhar intenção e percepção. O resultado? Mais autenticidade, clareza e presença.
Vestir-se também é um ato espiritual
Sim, vestir-se com intenção é um gesto de cuidado — consigo mesmo e com o outro. É uma forma de mostrar respeito pela ocasião, pelo espaço que se ocupa, pelas pessoas com quem se convive. E também é uma maneira de comunicar valores cristãos como sobriedade, alegria e acolhimento, além da beleza como sinal da beleza de Deus. A roupa certa no momento certo pode ser ponte, não obstáculo. Pode tocar antes mesmo de qualquer discurso.
A Igreja é uma grande promotora do belo e da arte. Além disso, a liturgia é recheada de gestos, objetos e cores que são muito simbólicos. Se assim acontece nas cerimônias, por que não conosco?
A partir da ordem, equilíbrio e beleza, podemos dar testemunho a partir do que vestimos e comunicar uma bela e boa mensagem através dos elementos visuais: cores, estilos, tecidos, formas.
Gracielle Reis é Consultora de Imagem e Oratória & Jornalista.
Instagram: @gracielledasilvareis
LinkedIn: https://www.linkedin.com/in/graciellereis/
