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Vias sacras: do sangue de Jesus às lágrimas de Maria

Foto: Pexels


Estranho, por que o plural?
Porque lado a lado com Jesus,
outras vias sacras exprimem
outros tipos de dor e sofrimento.
É o caso, por exemplo, de Maria,
mas também de Pedro e Judas,
e por que não falar de Madalena?

Em absoluto e primeiro lugar,
temos via sacra de Jesus:
passos e quedas em 14 estações,
cruz e sangue, agonia e morte,
via que é conhecida e celebrada,
de quaresma em quaresma,
mistério da morte e ressurreição
do redentor e salvador.

Foto: Pexels

A via sacra de Maria é longa,
tem início desde muito cedo;
traz à luz o Menino numa gruta,
durante extenuante viagem;
com a criança nos braços,
enfrenta a fuga e retorno do Egito;
na apresentação ao templo,
o velho Simeão lhe profetiza
que uma espada lhe ferirá a alma;
Jesus, em seu plano com o Pai,
revela-se um filho meio rebelde;
Maria, porém, segue-o até o fim,
junto à cruz em que foi executado.

A via sacra de Pedro vem de dentro, 
no espelho da condição humana:
primeiro é chamado de Satanás,
depois, na hora mais dramática,
por três vezes, nega o Mestre;
Jesus sofre a sentença
de morte, 
e morte cruenta, dolorosa, de cruz,
enquanto Pedro amarga a culpa,
traga lágrimas de arrependimento,
fugindo de tudo e de todos,
com o peso atroz de consciência.

A via sacra de Judas é incógnita:
diz Mateus que ele se arrependeu,
rejeitou o dinheiro da traição
e correu a se enforcar;
qual a dor, o desespero e o fim
de quem tira a própria vida?
Grande ponto de interrogação
se levanta diante dessa figura,
tão sinistra quanto incompreendida.

Sobre a via sacra de Madalena,
pouco ou nada se pode dizer;
ela amava e era amada pelo Mestre,
também esteve aos pés da cruz,
acompanhou o corpo na sepultura;
novamente aqui, como avaliar
a dor e o vazio de quem perde 
a razão última do próprio viver?

Foto: Pexels

Depois de Jesus, entretanto,
será ela a primeira e privilegiada
a vencer o sofrimento da morte 
pela nova gloriosa da ressurreição,
glória que logo se estenderá
a todas as demais vias sacras,
transfigurando a morte numa porta
para a vida nova e eterna,
no Reino/casa luminosa do Pai.

 

Pe. Alfredo J. Gonçalves,cs, é sacerdote da Congregação dos Missionários de São Carlos (scalabrinianos), cujo carisma é atuar com migrantes e refugiados. Durante 5 anos, foi assessor do Setor Pastoral Social da CNBB, depois Superior Provincial e Vigário Geral na Congregação supracitada. Hoje, exerce a função de vice-presidente do Serviço Pastoral dos Migrantes (SPM). Recentemente lançou o livro Retratos da Metrópole, organizado pela Missão Paz.
 

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