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Você liga a TV, entra na rede social, ouve um programa de rádio e, em questão de segundos, se vê diante de uma cena violenta. O noticiário está repleto delas. E os programas que deveriam entreter usam os casos de violência doméstica, roubos e sequestros como tema, visando aumentar a audiência por meio da polêmica.
Diante dessa normalização da violência, como educar os filhos, a fim de que entendam que isso não é usual (pelos menos não deveria ser)?
Lar doce lar
É em casa, no ambiente familiar, que as crianças têm a sua primeira experiência de amor. Atos de cuidado e carinho, manifestações de afeto e verbalização de sentimentos devem ser corriqueiros. “Eu te amo”, “você é importante para mim”, “te quero bem”, “por favor”, “obrigado”, “com licença” são palavras e frases que devem ser praticadas entre pais e filhos.

Andréa Marília, psicóloga especialista em Terapia Cognitivo-Comportamental. Foto: Arquivo Pessoal
“Na medida em que conhecemos o amor, vamos oferecê-lo ao mundo. É também em família que percebemos nossas diferenças e, por vezes, vivemos conflitos. O importante é aprender que diferenças não significam confrontos, e, para isso, devemos ensinar as crianças a identificar seus sentimentos e comunicar suas necessidades”, explica a psicóloga especialista em Terapia Cognitivo-Comportamental Andréa Marília.
Comportamento agressivo
Dado o enorme tempo que crianças e adolescentes passam diante do celular, é lógico o interesse pelas consequências dessa exposição. Mas a banalização de atos violentos, exibidos nos meios de comunicação, pode contribuir para o aumento de atitudes agressivas? Há muito tempo está comprovada a relação de causa e efeito entre a violência exibida pelas mídias e a futura prática de atos violentos pelos espectadores.

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Pesquisas científicas que datam do final dos anos 1940 já mostravam a existência de relações claras entre a exposição de crianças à violência exibida pelos canais e o desenvolvimento de comportamento agressivo. “Os jovens experimentam aumento do sofrimento emocional, além de menor envolvimento, desempenho e motivação em sala de aula. É preciso selecionar as informações que chegarão até a minha família. Consumir informações de violência traz prejuízos: alterações de pensamento e sono, além de insegurança”, afirma a psicóloga.
Pais como referência
É essencial criar um ambiente familiar no qual contextos violentos sejam repelidos por nossos filhos, possibilitando que não ocorra uma repetição. Atos violentos não devem ser naturalizados. É necessário entender que podemos ser diferentes, mas nem por isso somos rivais.
Ah, mas o mundo lá fora é hostil e violento! Através do diálogo, os pais devem ensinar como agir diante de uma divergência, como enfrentar uma decepção ou uma tristeza. É dentro de casa que os filhos vão buscar as referências para se projetarem para o mundo. “Se pretendemos oferecer aos nossos filhos um mundo seguro, eles devem conhecer isso primeiro dentro de casa. É preciso saber que isso existe, para que possam ter a oportunidade de escolher fazer diferente, o mundo de não violência começa em casa”, finaliza Andréa Marília.
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